• Felipe Schadt

"Eu sou a esperança"



> Estou muito impactado com o novo seriado da Netflix, The Sandman. Primeiro pela qualidade da produção, segundo pela qualidade da história e terceiro pela nostalgia de quem já tinha lido os quadrinhos do Senhor dos Sonhos. Se você não conhece essa história, sugiro fortemente que assista, mas mesmo assim darei um hiper resumo em um parágrafo.


The Sandman é um quadrinho da DC Comics escrito por Neil Gaiman que narra a história de uma entidade que representa os sonhos. Baseado na lenda de Morpheus, a HQ (História em Quadrinho) é repleta de reflexões filosóficas sobre vida, morte e questões que transcendem a existência humana. Recentemente foi adaptada para a TV em uma série de 11 episódios que vem recebendo muitas críticas positivas pela fidelidade aos quadrinhos.


Depois de assistir a um dos episódios e relembrar um podcast que havia escutado há alguns anos sobre o mesmo personagem, eu fiquei - como sugere a história - reflexivo. E eu queria dividir essa reflexão com você, caro(a) leitor(a). Por isso, permita-me narrar o trecho da história que me deixou tão pensativo nesses últimos dias.


Sandman, o Senhor dos Sonhos, havia sido roubado por mortais que o tinham aprisionado em outra ocasião. Além da sua algibeira e seu rubi, Sandman estava tentando recuperar seu elmo. Ele havia descoberto que este artefato estava sob a posse de um demônio que havia conseguido legitimamente através de um pacto com um mortal. O Rei dos Sonhos então exige seu elmo de volta mas para isso, precisava vencer o tal demônio em um duelo. Se vencesse, teria seu elmo, se perdesse, teria que servir seu rival pela eternidade.


O duelo não era para medir força física ou poderes sobrenaturais. O duelo se tratava de uma disputa filosófica. Um debate conceitual. Funcionava assim: um dizia um conceito e o outro teria que apresentar um conceito que anulasse o anterior - você deve se lembrar da "Velha a fiar". O demônio começa dizendo que era "O Lobo", Sandman então disse que era "O Caçador". O demônio disse que era "A Mosca" que picava o cavalo do caçador fazendo o caçador cair, Sandman disse que era "A Aranha" que comia a mosca... E o embate foi evoluindo.


Até que depois de muitos conceitos apresentados e anulados, o demônio disse: "Eu sou a anti-vida, a anulação da existência, a erradicação do universo. E você, Senhor dos Sonhos? O que és tu perante a anti-vida". Saboreando o que seria a eminente vitória, o demônio aguardava Sandman responder. E Sandman pensou... E quando parecia ser o fim do embate, Sandman se levanta e diz lindamente: "EU SOU A ESPERANÇA".


Eu me arrepio toda vez que me lembro desse embate. Ele é tão bonito e tão significativo. E me fez pensar na situação que passamos durante a pandemia. Estávamos vivendo algo muito próximo ao que eu acredito ser um tipo de inferno: presos e com o constante medo da dor (seja ela pela morte de alguém ou pela sua própria). Antes mesmo da pandemia eu já achava que estávamos vivendo na danação promovida pelo pior governo da história recente do Brasil. Lembro de ter chorado quando vi o resultado das eleições em 2018. Eu não me conformava e sabia que enfrentaríamos quatro anos muito difíceis.


As vezes me pego pensando em como esse governo se esforçou para ser a "anti-vida", a "anulação da existência", a "erradicação do universo" de tudo aquilo que tínhamos construído democraticamente. Por algum tempo eu, diante dessa tragédia, fiquei na lona sem nenhuma condição de pensar em como se levantar e vencer nessa situação. Só que a cada dia mais perto de outubro, eu volto a ficar esperançoso. Como em Sandman, só há uma coisa que pode vencer a "anti-vida": a esperança!


E você sabe de quem estou falando.


Conhecimento é conquista.

-FS



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