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Ataque em Berlim vai fazer a liberdade sangrar

  • Foto do escritor: Felipe Schadt
    Felipe Schadt
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
"Berlim, cidade da liberdade" no portão de Brandemburgo iluminado com as cores do Orgulho em homenagem às vítimas de 25/07. (Foto: Christoph Soeder/dpa/picture alliance)
"Berlim, cidade da liberdade" no portão de Brandemburgo iluminado com as cores do Orgulho em homenagem às vítimas de 25/07. (Foto: Christoph Soeder/dpa/picture alliance)

No último sábado (25), um homem usou uma van para interromper de forma trágica a Christopher Street Day, a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim - uma das maiores da Europa -, onde milhares de pessoas manifestavam a liberdade na cidade mais livre do mundo.


Segundo a rede de notícias Deutsche Welle (DW), uma mulher morreu e outras 29 pessoas ficaram feridas, algumas delas em estado grave, em um atentado que está sendo tratado como terrorista. A capital alemã passou o domingo todo prestando homenagens às vítimas e se perguntando por que isso aconteceu. Mais. Por que isso ainda acontece?


Há um ano eu estava na Str. des. 17 Juni (Rua 17 de Junho), rua que corta a região do Tiergarten, entre a Coluna da Vitória (Siegessäule) e o Portão de Brandemburgo. Motivo: eu estava participando da mesma Christopher Street Day. Ali, eu me senti em um dos ambientes mais seguros que já estive, no qual todos - falo com total convicção - estavam interessados em celebrar a liberdade de poder amar.


A liberdade que eu tinha presenciado com os meus próprios olhos saindo pelos poros daquela cidade foi bruscamente acertada com uma van branca no último sábado. Segundo informações da polícia, essa van seguia pela rua Ahornsteig, paralela à Lennéstrasse, e atropelou várias pessoas antes de bater em uma árvore. Após a colisão, o motorista abandonou o veículo e fugiu.


O principal suspeito do ataque foi identificado pela polícia como Abdul B., um cidadão alemão de 21 anos filho de mãe de origem libanesa com antecedentes criminais e associado ao meio islamista em Berlim. Ainda segundo a polícia, ele foi morto na noite de domingo após partir em direção aos agentes empunhando uma arma branca.


O maior inimigo da liberdade é o medo e se tem algo que a ultradireita sabe fazer muito bem é gerar medo.

Autoridades alemãs estão tratando o caso como um "ataque terrorista islamista". O Procurador-Geral da Alemanha assumirá as investigações, conforme anunciou a ministra da Justiça, Stefanie Hubig. O Ministério Público Federal, como autoridade acusatória máxima, em Karlsruhe, já assumiu oficialmente os trâmites. É lá que acontece as investigações em casos de crimes graves contra a segurança interna ou externa da Alemanha – a exemplo de traição à pátria, espionagem e terrorismo.


A reportagem da DW afirma que Abdul B. chegou a ser preso preventivamente acusado de tentar se juntar aos combatentes do "Estado Islâmico" (EI) na Síria em 2025, mas acabou detido ainda no Líbano e levado de volta à Alemanha em novembro de 2025. Isso acirrou o debate anti-imigração que sustenta a principal pauta da ultradireita alemã.


O alerta que fica é que partidos radicais como a AfD (Alternative für Deutschland - Alternativa para Alemanha) instrumentalizem o atentado para ganhar força no debate público. O partido de ultradireita aproveitou para atacar o governo na área da segurança e vai utilizar o caso para gerar medo na população que, por sua vez, poderá dar apoio ao partido que já é o segundo em cadeiras no parlamento.


Enquanto isso, a CDU (Christlich Demokratische Union Deutschlands - União Democrata-Cristã da Alemanha), partido do primeiro ministro Friedrich Merz, já fala em endurecer os processos de cidadania alemã, mas tenta tratar o caso com mais cautela. "A violência não começa apenas com um atentado. A violência começa com a intolerância, com a exclusão, com a discriminação, com frases sem sentido e piadas de mau gosto”, afirmou Merz na noite de domingo.


O fato é que esse golpe que a liberdade berlinense sofreu pode fazer a liberdade alemã sangrar. O maior inimigo da liberdade é o medo e se tem algo que a ultradireita sabe fazer muito bem é gerar medo. A receita é simples: identifique uma crise, coloque medo nas pessoas e identifique um inimigo causador da crise.


Essa receita já foi usada. Foi há 100 anos na mesma Alemanha.


Conhecimento é conquista

-FS

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