• Felipe Schadt

As ordens do Presidente



> "VAMOS FUZILAR A PETRALHADA", disse Jair Messias Bolsonaro, em 2018, na cidade de Rio Branco, no Acre. Em um carro de som, o então candidato do PSL à presidência pegou um tripé de uma câmera filmadora e a usou simulando um fuzil, imitando um fuzilamento. O público presente ovacionou o ato.


"PETRALHADA, VAI TUDO VOCÊS PARA A PONTA DA PRAIA", disse Jair Messias Bolsonaro, ainda em 2018, dias antes do segundo turno das eleições daquele ano, em uma ligação telefônica que fez de sua residência no Rio de Janeiro para São Paulo, onde acontecia um ato na Avenida Paulista que reunia milhares de apoiadores. A ligação foi transmitida para o público ao vivo que vibrava a cada palavra do então candidato. "Ponta da praia", refere-se a base da Marinha na Restinga da Marambaia, no Rio. Essa expressão virou uma gíria entre militares para designar local onde se realizavam interrogatórios clandestinos, tortura a opositores e desova de cadáveres.


"O ERRO DA DITADURA FOI TORTURAR E NÃO MATAR", disse Jair Messias Bolsonaro dois anos antes, em 2016, quando ainda era deputado e possível pré-candidato à presidência, em uma entrevista à Jovem Pan, no programa Pânico. Os capturados e torturados (e mortos, em vários casos) eram todos opositores ao Regime Militar (1964-1985), em sua maioria, militantes de partidos de esquerda.


"É BOM QUE UM ÚNICO TIRO MATE TODO MUNDO, OU UMA ÚNICA GRANADA MATE TODO MUNDO", disse Jair Messias Bolsonaro, em 2021, enquanto criticava as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado (CPI da COVID), citando o caso de suposta corrupção do governo na compra da vacina indiana Covaxin, quando fez os comentários contra o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus apoiadores.


"MEUS FILHOS TODOS ATIRARAM COM CINCO ANOS DE IDADE", disse Jair Messias Bolsonaro, também em 2018, em uma entrevista coletiva que concedeu em Glicério (SP). E não foi a única vez que o presidente envolveu crianças em seus discursos armamentistas. No mesmo ano, Bolsonaro chocou parte do país quando, durante a campanha à presidência da República, em Goiânia (GO), ensinou uma criança, que estava em seu colo, como fazer o gesto de arma com as mãos. No ano seguinte, durante a solenidade de formatura dos sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP), no Anhembi, pegou no colo uma criança fardada e com uma pistola de brinquedo nas mãos. Quando a criança apontou o objeto para o alto, como quem fosse dar um tiro, o presidente fez um sinal de positivo com a mão. E em 2021, em Manaus, parou diante de uma criança fardada e com um fuzil de brinquedo na mão e ordenou ao menino: “aponta aí”. O pedido foi atendido e o presidente pegou a criança no colo.


Todos esses episódios tem algo em comum. Além da sanha do presidente pela violência, sobretudo contra seus opositores políticos, todos esses momentos receberam aplausos e apoio de seus seguidores. O problema é que um desses seguidores resolveu não só aplaudir, mas obedecer o discurso de Bolsonaro.


"AQUI É BOLSONARO, SEUS FDP! VOU MATAR TODOS VOCÊS, SEUS DESGRAÇADOS!", disse Jorge José da Rocha Guaranho, na noite do último sábado (9), momentos antes de atirar a queima roupa em Marcelo Aloizio de Arruda, dirigente do PT na cidade de Foz do Iguaçu (PR), que comemorava seu aniversário de 50 anos junto com familiares e amigos. O tema da festa era o ex-presidente Lula e seu partido. O petista e o bolsonarista não se conheciam.


Eu não quero ser o mensageiro do caos, mas o que aconteceu nesse final de semana foi apenas uma amostra do que nos aguarda nessas eleições. É melhor ficarmos preparados para o pior, pois as ordens, como vimos, já foram dadas e não faltarão assassinos para cumpri-las.


Conhecimento é conquista! -FS


P.s.: E o pior de tudo é ver o malabarismo moral que estão tentando fazer para defender ou justificar o assassinato em Foz do Iguaçu. E é muita gente tentando.

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