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Política: substantivo feminino

Foto do escritor: Felipe Schadt
Felipe Schadt
há 2 horas
3 min de leitura
O início da verdadeira revolução política passa por eleger mulheres. (Imagem: Magno Borges/Agência Mural)
O início da verdadeira revolução política passa por eleger mulheres. (Imagem: Magno Borges/Agência Mural)

Estamos na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. Eu poderia falar sobre os cargos do executivo - presidente e governador -, mas decidi que não. Tenho meus motivos. O primeiro é que o cargo de governador do estado que eu moro, São Paulo, é praticamente uma barbada. O Tarcísio deve se eleger já no primeiro turno. Já para a presidência, tudo leva a crer que teremos um segundo turno e, por isso, falarei mais sobre esse assunto após dia 04 de outubro.


Quero falar especificamente do legislativo, ou seja: deputados estaduais e federais e senadores. E você percebeu que eu usei o artigo masculino para me referir a esses cargos? Bom, esse erro calculado da minha parte é fundamental para o nosso ponto de partida sobre uma ideia que eu vi, gostei e quero compartilhar com você.


Vamos começar com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a ALESP. Lá, existem 94 cadeiras disponíveis e, entre 2023 e 2026, 24 delas são ocupadas por mulheres. Basicamente 1/4 do poder legislativo paulista tem representação feminina. Um avanço de 5 mulheres em relação ao mandato anterior.


Porcentagem muito parecida com a do Senado Federal. Lá em Brasília, das 81 vagas disponíveis, 15 são ocupadas por mulheres. Por São Paulo, por exemplo, há dois senadores e uma senadora, Mara Gabrilli (PSD). Uma discrepância, já que a população de São Paulo é formada por 23,3 milhões de mulheres (51%). Em um estado onde a maioria é formada pelo público feminino, sua representação na Assembleia e no Senado não deveria seguir essa lógica?


Mas a coisa fica mais estranha quando o assunto é a Câmara Federal. Atualmente, das 513 vagas da casa, apenas 91 são de mulheres. As representantes do estado de São Paulo são de 12 contra 58 homens. Agora se pensarmos na representação nacional, 51% da população - assim como em São Paulo - é formada por mulheres, mas na Câmara dos Deputados, a “Casa do Povo”, as mulheres somam só 17,7%.


Enquanto tem gente questionando o voto feminino, eu sou do time que quer eleger mulheres!

A gente vive reclamando da política brasileira desde sempre. Quem aqui não cresceu ouvindo que político é tudo safado, ladrão, mentiroso? E quem não passou a vida toda dizendo que as coisas precisam mudar com urgência na política nacional? O fato é que o Brasil sempre foi comandado por homens. Com o raro lampejo do governo Dilma, de Dom Pedro I a Lula, as mulheres nunca tiveram o devido espaço na política.


Desde Carlota Pereira de Queirós, primeira deputada federal em 1933, até hoje, apenas 348 mulheres ocuparam as cadeiras da Câmara dos Deputados que, por sua vez, já recebeu na história do Brasil 7.890 homens eleitos. Agora você entende o motivo do artigo masculino par se referir a deputados.


A conta é simples. Já que todos aqui concordamos que a classe política brasileira é ruim, então estamos falando dos homens que lá estiveram. E também concordamos que precisamos fazer alguma coisa para mudar, certo? Então por que a gente não vota só em mulher nessas eleições? Que tal inverter a lógica só para ver o que acontece e transformar a Câmara dos Deputados em Câmara das Deputadas?


E isso também se aplica ao Senado Federal e as Assembleias Estaduais. Nessas eleições, por exemplo, das três cadeiras de São Paulo no Senado, duas ficarão vagas, uma delas é justamente da única senadora que temos representando nosso estado. Nós paulistas corremos o risco de não termos nenhuma mulher senadora pelos próximos quatro anos ou, podemos ter, pela primeira vez, duas mulheres no Senado pelo nosso estado. 


Eu vi essa ideia de um vídeo que assisti nas redes sociais e tomei a decisão de votar só em mulher para o legislativo. E incentivo você a fazer o mesmo. Seja de esquerda ou de direita, escolha mulheres para te representar. Acho que a revolução política que tanto sonhamos para o país pode começar aí, no seu voto e na eleição massiva de mulheres para a Assembleia Legislativa, Câmara e Senado. 


Afinal de contas, política é um substantivo feminino.


Conhecimento é conquista

-FS

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