O Brasil venceu!


Na eleição mais disputas da história do nosso país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto - e último - mandato. E escrever isso, caro leitor e cara leitora, é um alívio que metade da nossa população está compartilhando nesse exato momento comigo.
Esse alívio não é por causa da vitória especificamente de Lula. Muitos não queriam ter que escolher o petista para mais um mandato, temos que ser francos. O grande “ufa” que soltamos no domingo a noite foi porque evitamos que um bandido declarado e perigoso tivesse nas mãos as chaves do Palácio do Planalto.
Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de envolvimento em quatro principais crimes (lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e organização criminosa), distribuídos em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Isso tudo para resumir as inúmeras manchetes que o derrotado nas eleições de domingo figurou nos últimos anos, como sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, seus negócios com o advogado foragido Willer Tomaz, sua proximidade evidente com a milícia do Rio de Janeiro e o já folclórico caso de rachadinha no período em que era deputado estadual fluminense. Só para citar alguns.
A extensa ficha do primogênito de Jair Bolsonaro é mais do que suficiente para colocá-lo na cadeia a partir do ano que vem, quando ele, sem nenhum cargo representativo, perderá o foro privilegiado. A Polícia Federal já está na cola de Flávio e pelo menos metade do país não vai deixar a pauta esfriar.
A vitória apoteótica de Lula irá decretar o fim de Flávio Bolsonaro como político, mas não vai derrubar o bolsonarismo. Eles são muitos e utilizarão a força no congresso para tentar pautar a outra metade do país a se guiar pelo sentimento de “perseguição”.
Prevejo que o problema do bolsonarismo será resolvido pela direita nas próximas eleições. Renan (Missão), Tarcísio (Republicanos) e a dupla Kassab e Caiado (PSD) brigarão pelo espólio da direita, isolando o bolsonarismo que será herdado por Nicolas, Michele e Carlos Bolsonaro (todos do PL) que disputarão a tapa e racharão a extrema-direita.
Para quem não gosta do PT, há também um certo alívio. Não acredito que o partido será protagonista sem o Lula. Após 2030, a esquerda terá que buscar novas lideranças e entender que a sombra do lulismo não garante mais água fresca. E vamos ser francos, a esquerda, por mais que tenha colocado milhões de pessoas nas ruas e nas redes, não terá essa força para 2030. Essa onda vermelha foi para Lula poder surfar e dar um caldo no bolsonarismo. Sem Lula e com a extrema-direita desnorteada pela própria direita, a história será outra.
Mesmo assim, o levante da juventude, responsável pela vitória de Lula, é irreversível. Lembro da fala do presidente em uma entrevista ao Flow Podcast quando incentivou a juventude a se politizar. “Talvez o político que você quer que eu seja, seja você!”, disse o petista. Os estudantes entenderam o recado e tomaram o protagonismo político para si e, penso (e espero) que não vão abrir mão dele. A esquerda, portanto, voltará para as ruas e para a juventude. Precisa agora voltar para o trabalhador. Mas isso é outra história.
O fato é que impedimos o fim dos direitos adquiridos, o entreguismo para os EUA e uma mudança na constituição que culminaria no enfraquecimento da democracia com a evidente dinastia Bolsonaro. Uma tragédia na república.
Lula pode ter todos os defeitos do mundo, mas ele é um estadista, um democrata. Não só. Ele é um dos maiores líderes políticos da história do planeta e senta ao lado de Nelson Mandela como alguém que mudou para sempre - e para melhor - seu próprio país.
Lula presidente, Flávio na cadeia, Brasil soberano, bolsonarismo implodindo, direita civilizada de volta, esquerda na rua e rejuvenescida. Tudo isso graças a democracia que escolhemos - a despeito da outra metade - manter no nosso país. Respira fundo. O Brasil venceu.
Conhecimento é conquista
-FS




👏👏👏❣️
Grande texto!