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Diário de Bordo (secreto) Final

19/01/2026, segunda.
 

No fim, foi tudo uma grande piração.

Câmbio, desligo.

Esse blog se autodestruirá no dia 25/1.

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #17 - Sessão de terapia

13/01/2026, terça.
 

Em 2012, pela GNT, estreava a série “Sessão de Terapia”, dirigida e estrelada por Selton Mello. Consiste na seguinte premissa, cada episódio é uma sessão de terapia de uma das personagens da temporada. O telespectador é “autorizado” a assistir a sessão, acompanhando como o psicólogo lida e tenta resolver o problema dos seus pacientes.

 

Eu só fui conhecer essa série durante a pandemia. Gosto muito dela, pois os temas retratados e as atuações são incríveis. E eu já me peguei pensando que minhas sessões de terapia poderiam muito bem ser base de roteiro para alguma personagem desse programa de TV. 

 

Hoje, eu precisei ligar para a minha terapeuta para uma sessão em regime de urgência. Felizmente ela me atendeu e ficamos quase duas horas em atendimento. Eu queria entender o que estava acontecendo comigo em relação a você. No fim das contas, eu sou um cientista (da comunicação, mas sou) e sempre buscarei por respostas para qualquer problema que esteja na minha vida. 

 

Durante a sessão, depois de eu ter relatado tudo o que eu podia da maneira mais fidedigna que eu fui capaz, minha terapeuta começou a falar. E ela me ensinou sobre um conceito que abriu um clarão na minha cabeça e me rendeu um momento de Eureka fulminante.

 

Câmbio.

.

 

Eu tive uma boa noite de sono depois que eu voltei da praia. A viagem de volta exauriu muita energia minha. Recentemente eu tenho dormido pouco, meu corpo insiste em acordar às 5h da manhã independente do que eu faça. Dessa vez foi diferente. Dormi bem até quase às 8h. 

 

Quando vi suas duas mensagens pela manhã eu percebi muito rápido que você precisava muito mais do que tempo. Você queria espaço. Obviamente eu te daria (e dou) os dois. Mas eu precisava entender como isso me afetava. Sem desespero ou ansiedade, eu comecei a pensar o quê tudo isso significava.

 

Diferente dos últimos dias, eu queria fazer essa análise da maneira menos emocional possível. Como tratar um problema sentimental em um problema mecânico. Vesti meu jaleco de cientista e comecei a refletir, reconhecer padrões, criar hipóteses. Não conseguia montar esse quebra-cabeça. Sempre que eu ia mais a fundo nas investigações, minha mente tentava me sabotar pensando em cenários ruins. Eu não deixava isso acontecer. 

 

“Aproveite o teu tempo”, você havia me dito. “Como posso otimizar o meu tempo com essa questão pairando minha cabeça?”, eu me perguntava. Eu não queria resolver, pois resolver isso requer conversa e nós não iremos fazer isso agora. Eu queria entender isso para quando a gente for conversar (depois que você voltar), saber exatamente o que dizer. Sozinho eu não ia conseguir entender nada. Tive uma ideia. Liguei para a minha terapeuta.

 

Eu não vou me estender muito sobre a sessão. Mas o que você deve saber é que eu consegui entender o que está acontecendo comigo e com você. Já ouviu falar em “Apego Ansioso” e “Apego Evitativo”? Eu nunca, mas depois que minha terapeuta explicou o que era, eu vi claramente nós dois e o que está acontecendo com a gente nesse exato momento. Saí da sessão animadíssimo para ler mais a respeito e passaria a tarde toda pesquisando se não fosse o convite de um amigo para irmos nadar no SESC.

 

“Aproveite o teu tempo”, lembrei da tua fala. Aceitei e lá fui eu nadar. Até agora os músculos do meu corpinho doem. Dito isso, irei mais vezes. Durante a natação eu simplesmente não pensei em nada (desculpe o trocadilho). Eu só estava nadando e me concentrando em respirar, movimentar os braços e bater as pernas. Decidi que, embora o esforço físico quase homérico para o Felipe de 2026, quero transformar isso em hábito.

 

Depois que fiquei satisfeito com a natação, voltei para casa. Queria continuar lendo sobre os Ansiosos e Evitativos. Abas e mais abas foram abertas no meu navegador. Muitas linhas foram lidas e até alguns vídeos eu assisti a respeito.

 

Não. Não irei falar aqui o que eu aprendi. Essa conversa nós teremos depois, quando você se sentir a vontade para isso. E aqui vai uma coisa que eu aprendi a respeito: além do tempo que você já disse que valoriza muito, o espaço também é muito importante. E você terá os dois sempre que precisar ou querer.

 

Eu não sofri por não ter falado com você hoje. Primeiro porque você avisou que seria um dia corrido. Segundo porque eu compreendi que você precisa de espaço, ainda mais nesse momento derradeiro das férias. 

 

Estou muito ansioso para contar tudo o que eu aprendi, mas não ao ponto de sofrer com isso. Estou ansioso porque eu entendi tanto o que está acontecendo que tudo ficou extremamente mais leve para mim. Agora, eu quero que as coisas fiquem mais leve para você.

 

O que você precisa saber é que eu SEMPRE vou estar te esperando quando você precisar de tempo. E você SEMPRE terá um lugar para voltar quando você precisar de espaço. Por quê?

 

Porque eu te amo!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #16 - Eu já te falei sobre a minha ampulheta?

12/01/2026, segunda.*
 

Em 2013, eu estava tentando entrar no mestrado em História pela Universidade Federal do ABC. Na ocasião, eu estava servindo de capacho para uma professora de renome nacional e autoridade sobre Nazismo no Brasil. Para conseguir sua orientação, eu fazia tudo o que ela pedia. Uma das coisas que fiz foi ir com ela e seus outros orientandos a um Congresso Nacional de História que rolou em Ouro Preto.

 

Pra resumir a ópera, eu fiz a minha apresentação e fui muito elogiado pelos presentes. Meu trabalho era uma análise de dois filmes da cineasta Leni Riefenstahl e apresentar o discurso eugenista presente em seus dois principais filmes. Era com esse tema, inclusive que eu iria encerrar a pós-graduação na PUC-SP e basear meu projeto de pesquisa para o mestrado na sequência (com essa professora me orientando).

 

O problema é que eu não "dei" tempo para que ela falasse durante a minha apresentação. E eu nem sabia que ela queria falar, mas fiquei sabendo da pior maneira possível. Após a apresentação, ela me deu uma bronca e disse que eu não havia dado a ela o prestígio que ela merecia. No dia seguinte, às 5h da manhã, na saída do hostel rumo ao aeroporto de Confins, ela me dá a seguinte notícia: "Melhor você procurar outra pessoa para te orientar". 

 

(Sim! Eu tomei um "pé na bunda acadêmico")

 

Nós iríamos no mesmo voo embora, mas chegaríamos ao aeroporto por meios diferentes. Ela iria de carro (havia alugado um), eu iria de ônibus e tinha que esperar o horário na pequena rodoviária da cidade colonial. Enquanto eu esperava, uma senhora estava armando uma pequena banquinha com vários artesanatos. Para matar o tempo (e me distrair da desilusão), eu comecei a olhar o que ela vendia. Então eu vi uma série de ampulhetas espalhadas pela banquinha (ela ainda estava colocando em ordem). Perguntei o preço de uma, paguei e coloquei na mochila.

 

Ela se tornou um lembrete. Prometi para mim mesmo que eu entraria no mestrado na USP, seja lá o quanto isso me custasse. E toda vez que eu estava estudando para as provas de ingresso e sentia cansaço, eu pegava a ampulheta e a virava. Sua areia durava 19 segundos. Era durante esse curto espaço de tempo que eu me lembrava da minha promessa, parava de perder meu tempo e voltava a estudar.

 

Muitos anos depois, já em 2019, a faxineira aqui de casa quebrou minha ampulheta sem querer. Claro que não fiquei bravo com ela, mas eu fiquei chateado com a situação. Eu havia entrado no mestrado como havia prometido para mim mesmo e a ampulheta, naquela altura do campeonato, era um lembrete da minha vitória. Sem contar que eu continuava a virando toda vez que eu achava que estava desperdiçando meu tempo ao invés de estudar. Felizmente, a Vera (faxineira aqui de casa) me trouxe outra ampulheta igualzinha. Não sei de onde ela veio, mas tem os mesmos 19 segundos de areia e basicamente de mesma coloração. Ufa!

 

Ainda hoje, quando estou escrevendo algo (principalmente) e me distraio com algo que não vai me ajudar, eu giro a ampulheta e olho para a areia caindo. Depois de 19 segundos, meu foco volta.

 

E eu, após reler tudo o que eu escrevi acima, tive que virar a ampulheta uma vez para seguir com o texto de hoje.

 

Câmbio.

.

 

Eu gastei exatas 2 horas e 38 minutos para fazer o trajeto entre Santos e Jundiaí. O trânsito que eu peguei na Anchieta, em Cubatão, foi coisa de maluco. Houve um acidente envolvendo um caminhão que comeu uma das duas pistas da rodovia. Para piorar, a subida da Anchieta é cheia de curvas, o que, naturalmente, deixa o trânsito mais lento. Para piorar ainda mais, chovia, condição meteorológica que faz todo mundo desaprender a dirigir. Fiquei quase 50 minutos no trânsito e meu cox já começava a doer.

 

Eu queria chegar o mais rápido possível em casa para poder te escrever ainda no dia 12. Tudo isso para respeitar a canonicidade do Blog. *Terei que burlar o tempo e, mesmo postando este texto no dia 13, ele contará como o do dia 12. E eu vou me permitir a isso sim. Primeiro que estamos falando sobre tempo e eu posso manipulá-lo aqui sim! Segundo que o blog é meu, você leitor ou leitora que está lendo isso no futuro, apenas aceite.

 

Antes do trânsito, passei um tempo ótimo na praia. Eu, meu celular, fones de ouvido e a minha chave no bolso da bermuda, estavamos todos caminhando de uma ponta a outra da parte da praia que eu fiquei em Santos. Enquanto eu andava com os pés na água, eu desfrutava do clima bem gostoso que fazia ali. Foi uma boa caminhada. E isso me fez pensar que deve ser muita qualidade poder caminhar na praia todos os dias.

 

Só que essa caminhada só aconteceu depois de um mergulho que eu tive que dar no mar. Você sabe que meu aniversário é dia 02 de fevereiro, mas talvez o que você não saiba é que esse é o dia de Iemanjá, ou a Rainha do Mar! Sempre que eu vou à praia, eu vou fazer uma visita à majestade. Para isso acontecer hoje, tive que pedir para alguém olhar minhas poucas coisas. Eu podia ter deixado no meu carro que estava estacionado a alguns metros dali, mas via uma senhorinha muito simpática vendo sua filha brincando com o seu neto (deduzi esse parentesco). 

 

Ela gentilmente olhou minhas coisas e, quando eu voltei, menos de cinco minutos depois, ela ainda perguntou: "Mas já voltou? Mergulho rápido ese", disse. Eu devolvi falando que eu só precisava fazer uma visitinha rápida à Iemanjá. Sorri na esperança de ganhar um sorriso de volta. Mas o que eu ganhei foi um "Deus te abençoe!". A senhorinha crente me achou um macumbeiro (estou deduzindo outra vez). 

 

Mas até eu chegar ao mergulho no reino da Mãe das Águas, eu fiquei sentado na areia olhando para o horizonte entre o oceano e o céu tentando ver onde acabava um e começa o outro. Não sei quanto tempo fiquei ali. Não queria olhar para o relógio e nem pensar em muita coisa. Só queria estar ali. Foi pacífico. Eu estava precisando.

 

Mais cedo (uma hora para ser mais preciso), eu estava no Hard Rock Café Praia Grande. Amo visitar HRC para experimentar o Local Burguer, garimpar por memorabílias do U2, fazer vídeos e fotos da decoração e comprar minha camiseta para fechar a conta. Bom, no restaurante da Praia Grande, não havia Local Burger para começar. "Ainda estamos desenvolvendo o lanche. Deve ficar pronto para ser lançado em maio ou junho", disse uma atendente que jurava ter experiência no HRC de Ribeirão Preto. Desconfio da moça, pois parecia que ela estava atendendo alguém pela primeira vez.

 

Aliás, o atendimento do HRC Praia Grande deixou muito a desejar. Mas eu entendo, a grande maioria deve estar começando agora, junto com o restaurante (que inaugurou há menos de um mês). E mesmo assim, consegui as outras coisas que eu queria: achei algo do U2 (uma camiseta autografada por todos eles da época do The Joshua Tree (1987) quando eles vieram para o Brasil pela primeira vez em 1998); tirei fotos do lugar (e ele é bem bonito, diga-se de passagem); e comprei a minha camiseta (100 reais mais barata do que as que compro fora do país)! São ao todo 19 HRC que já visitei no mundo. Minha meta é 50. Será que conseguirei fazer isso a tempo? Espero que sim.

 

Eu decidi descer para a Praia Grande porque eu estava com tempo livre. Muito, alias. Tempo livre esse que não estava sendo meu aliado, pelo contrário, estava se tornando o meu pior inimigo nesses últimos dias. Descobri isso em um Karaokê, com a nossa grande amiga Ana Lu.

 

Por algumas horas na noite anterior, cantando e vendo os outros cantarem, eu não vi o tempo se arrastar (e quando eu via isso eu me arrastava junto) e só consegui apreciar o momento. Quando eu vejo o tempo se arrastar eu penso no passado, penso no futuro mas nunca no presente. Quando você canta em um Karaokê, você precisa estar presente. Se você não estiver, você perde o tempo da música e não vai ser legal pra você e para o público (que vai tentar a todo custo cantar mais alto que você para te colocar no ritmo certo).

 

(Um parênteses muito importante: a Ana Lu canta muito e deveria mesmo se inscrever num desses reality shows de música)

 

Antes disso, porém, eu e ela conversamos bastante no Burguer King da 9 de Julho. E a maior parte da nossa conversa aconteceu enquanto esperávamos pelos nossos lanches. Lotado, o restaurante não estava dando conta de atender todo mundo. Assistimos de camarote um início de confusão. Um cara e a sua esposa (acho), queriam cancelar o pedido e queriam o seu dinheiro de volta. Eles estavam putaços por estar esperando por 20 minutos. O tempo é mesmo relativo. Eu estava há muito mais ali conversando com a Ana e nem me incomodei com a espera.

 

Mas o importante aqui é que ela me fez perceber que eu estava gastando meu tempo de maneira errada. Dediquei toda minha atenção para o que ela me dizia e usei os planck segundos para fazer sinapses e pensar a respeito. E eu pensei.

 

Mas eu não vou desperdiçar meu tempo com essa história de dois dias atrás. Não quero usar meu tempo aqui no blog (que eu amo escrever para você) para falar sobre esse assunto. Você, muito sábia, já havia entendido isso. Eu, aprendiz, entendi agora. Entendi que quero usar meu tempo para coisas legais e não para caçar problemas onde não existe nenhum. Entendi que enquanto estou com você, quero aproveitar o tempo com o máximo de qualidade possível (seja fisicamente ou virtualmente). Entendi que, quando eu estiver pensando em você, quero usar o meu tempo para pensar o que importa: tudo o que sentimos um pelo outro.

 

Foi muito tempo longe. Muito mais do que estamos acostumados. Mas contra o tempo não temos nada a fazer a não ser esperar. Eu já te disse uma vez e repito, eu estou aqui te esperando. Depois disso, teremos muito tempo para decidir o que fazer com o tempo que nos será dado. 

 

(Lembra quando falamos que "estamos aprendendo a amar um ao outro"? Tem muitas coisas que eu não sei, mas eu não preciso de muito tempo para aprender. Eu aprendo rápido. E se tem uma coisa que eu estou aprendendo nesse exato momento é respeitar o teu tempo)

 

Aproveite teu tempo aí em Roma da melhor maneira que você conseguir. Estarei aqui esperando pelas suas novidades. 

 

(girei a ampulheta)...

 

Eu consigo te amar muito em 19 segundos.

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

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Diário de Bordo (secreto) #15 - O óbvio precisa ser dito

11/01/2026, domingo.
 

Olhei muitas vezes para o celular nesta manhã. Eu já tinha esperado por uma resposta sua há uma hora e aquilo estava me fazendo um mal muito grande. Resolvi me movimentar. Penso melhor quando estou em movimento. Acho que foi o Dr. Miguel Nicolelis (um dos maiores neurocientistas do mundo) que disse certa vez que nosso cérebro se desenvolveu graças ao nosso movimento. Ele deve ter razão.

 

Dei um jeito na casa. Coisa básica, já que ela está arrumada a maior parte do tempo. Mas eu precisava lavar roupa. A ideia era ir até o mercado e comprar sabão para fazer isso. Me preparei para sair e dei mais uma olhada no celular. Nada. Mantive o movimento e resolvi sair.

 

Tive uma ideia. "E se eu deixar o celular em casa e esquecer um pouco dele para variar?". Achei a ideia boa, pois se eu o levasse comigo, ficaria olhando ele de minuto em minuto para ver se você havia mandado algo. Nada saudável. Além disso, avaliei que sem o celular eu não ouviria música ou podcasts no trajeto, fato que me obrigaria a pensar e não ignorar minha própria existência.

 

A última olhada. Nenhum recado. Deixei meu celular ao lado da minha cama e sai com uma mochila nas costas, uma garrafa d'água dentro dela e os braços e rosto besuntados de protetor solar. O deus Apolo não está dando nenhuma trégua para nós aqui na Terra da Uva.

 

Eu precisava pensar e eu penso melhor quando eu me movo.

 

Câmbio.

.

 

Nós dois nos gabamos por causa da nossa facilidade com as palavras. Nós sabemos muito bem o poder que elas possuem. Nós respeitamos os significados que elas carregam. Nós a tratamos muito bem e sempre a usamos como forma de acariciar um ao outro. E isso é um fato. Entendemos muito bem o que as palavras podem nos causar.

 

Por saber disso, nós compreendemos muito bem que o diálogo é o nosso carro chefe. Sempre conversamos muito e todas as nossas conversas, até mesmo as mais difíceis, foram importantes para nos aproximar. Conversar é o nosso principal escudo contra qualquer coisa ruim que possa nos afligir.

 

Sabendo desses dois pontos importantes (nossa compreensão sobre o poder da palavra e do diálogo), hoje eu precisei refletir sobre o que eu percebi. E eu vou tentar usar as palavras da melhor maneira possível para que você entenda exatamente o que eu quero dizer.

 

(Antes, você sabe o quanto eu preciso escrever para organizar minhas ideias. É na hora de escrever que eu vejo o que estou pensando e quando estou relendo, reviso não só o texto mais meu próprio pensamento)

 

Eu te escrevi ontem o texto do blog para que você o lesse hoje. Como sempre, fui fiel às minhas inclinações e escrevi exatamente o que eu estava sentindo. Confesso que eu enrolei para finalizá-lo, pois eu ainda nutria a esperança de que você acordaria no meio da noite e diria "esqueci do beijo", como aconteceu exatamente na semana passada. Mas como eu disse no blog passado, eu entendia perfeitamente o teu cansaço.

 

Destaquei no texto o quanto acordar com uma mensagem tua de bom dia me faz feliz. E dormi com a tranquilidade de que isso iria acontecer. "Ela vai mandar uma mensagem fofa, eu vou acordar feliz e tudo seguirá normal", pensei. Mas ao invés de uma noite tranquila, eu não consegui pregar os olhos.

 

Meu sono estava muito leve e qualquer coisinha eu acordava com um susto. Descobri, quando peguei o elevador para ir ao mercado por meio de um recado fixado no mural que algum vizinho fez uma algazarra até às 2h da manhã. Não sei se isso contribuiu indiretamente para meu sono conturbado, o fato é que eu não ouvi nada do tipo. E olha que eu durmo com a janela aberta.

 

De madrugada, vi que você havia visto minha mensagem e não respondeu. Isso não me abalou. Não conscientemente. Quando voltei a dormir, tive vários sonhos com você e em todos eles você estava triste e não conseguia me contar o motivo. Despertei com o meu celular vibrando. Era você. "Ufa!", pensei com alívio.

 

Mas as respostas que recebi foram todas protocolares demais. Tentei não me importar com aquilo. "Vou responder ela só para ela não ver que eu visualizei e não respondi nada" e, com certo sono, respondi você. Porém os sonhos não cessaram. Eram difusos, quebrados, mas compreensíveis: você não estava bem.

 

Quando acordei e reli suas mensagens (e você havia mandado mais duas), minhas impressões de que você havia respondido de forma protocolar aumentaram. E qual o motivo dessa minha impressão? Eu sei como você reage às minhas mensagens. Conversamos o suficiente para eu saber algumas coisas sobre a forma que você fala.

 

Além disso, se sabemos o poder das palavras, também sabemos o poder do que não é dito. Nenhum "também te amo" ou "também estou com saudades". Um agradecimento protocolar. "Sério que você está reclamando que eu não disse que te amo?", não. Não é esse o ponto. Não quero que me diga eu te amo de maneira automática. Isso tem que ser espontâneo e natural. Mas quando você lê da pessoa todos os dias essa frase e ela não vem, é natural estranhar.

 

Então eu fiz o que eu faço de melhor: perguntar. Perguntei se havia acontecido alguma coisa e você disse que não. Então perguntei o motivo de você estar me respondendo de uma maneira fria e você só me respondeu com um "Felipe....." (que eu sei exatamente o que significa). E continuou não me respondendo.

 

Eu não vou dizer aqui o que você deve ou não fazer. Nem dizer o que eu faria no teu lugar. Mas eu vou dizer o que eu precisava ouvir/ler de você. Lembra na semana passada que você disse que estava "meio assim" por causa da mensagem que você recebeu? Bem, eu também fiquei ansioso e você conversou comigo, me acalmou, me devolveu o prumo que eu estava prestes a perder por motivos bobos.

 

Bom. Eu só precisava das mesmas palavras. "Ei! Eu te amo cara! To com saudade e para de pensar bobagem." Era só isso e eu teria ficado bem na hora, pois acredito em tudo o que você diz. E eu não esqueço, mas às vezes essas palavras precisam ser renovadas. Você sabe, o óbvio precisa ser dito às vezes e eu precisava muito ler o óbvio nesta manhã.

 

Mas você preferiu ser protocolar mais uma vez. O mesmo "Obrigado com um coração vermelho" que você usou para agradecer meu "Bom dia cheio de saudades com um Eu te amo", foi usado para agradecer meu desejo de "Bom passeio". Você ignorou completamente a minha pergunta sobre se o motivo da frieza nas respostas. E você nunca me ignorou em nenhuma mensagem. Você responde todas. "Por que essas não?". 

 

Quando as coisas não ficam claras, a gente acaba pensando mil coisas. E eu só pensava que você realmente estava mal com alguma coisa e não queria me contar. Ou que não queria falar comigo hoje. Ou (indo ao extremo) que você não gostava mais de mim (eu sei que sou um dramalhão, mas sou ansioso e penso mil coisas erradas). Lembrei do que você havia me falado que eu poderia esquecer tudo, mas que uma coisa eu deveria manter na minha cabeça: o fato de que você caminhava comigo. E isso me deixou mais confuso ainda. "Se ela caminha comigo, porque ela me deixa no escuro?".

 

Foi assim que eu me senti durante uma hora olhando para o celular esperando uma mensagem sua. A mensagem que eu precisava ler para me acalmar. A mesma mensagem que você já havia me enviado quando eu fiquei desse jeito na semana passada. Não saber de algo que me atinge é um gatilho imenso pra mim. Lembra quando vocês fizeram aquela brincadeira aqui em casa de dizer que iam embora do nada? Juro, aquilo me deixou muito ansioso justamente por você não me falar o motivo. A frase "depois a gente conversa" é capaz de quebrar meu espírito. Hoje eu senti algo parecido.

 

Por isso precisei pensar. E para pensar melhor, resolvi andar. Fui até a feira, depois ao mercado e sem nenhuma pressa voltei para casa. Olhei meu celular e vi que havia mensagens suas. Mas antes de te responder, eu resolvi escrever e pensar mais um pouco. Não queria ser injusto com você, mas também queria te dizer o que eu senti e sinto em relação a tudo isso. 

 

Eu não sou um homem que precisa de demonstrações gigantescas de amor. Eu me contento com os detalhes e isso é como segurar uma faca de dois gumes. O bônus de se atentar aos detalhes é que eu sempre sei, por exemplo, quando você quer uma água com gás ou quando você escolhe as palavras certas para me deixar feliz. O ônus é saber exatamente que algo está errado por causa de um detalhe que faltou. 

 

Eu me sinto amado por você. Toda vez que dou uma titubeada em relação a isso, eu me lembro de todo o movimento que você está fazendo para que fiquemos juntos. Acredite, eu dou muito valor para isso pois sei o quanto é oneroso. Mas eu preciso dos detalhes para sentir que estou sendo cuidado também. E você sempre soube fazer isso comigo utilizando as palavras que você tanto domina. Sempre me senti acariciado pelas coisas que você me diz e por isso estranhei tanto quando, no detalhe, não senti o habitual carinho que sempre veio de você.

 

Eu preciso de cuidado também. Não estou pedindo por romantismo (essa parte pode ficar comigo), mas estou pedindo zelo e acho que não estou pedindo muito. Principalmente nessa fase que estamos longe, no qual a saudade aperta o coração que precisa urgente ficar quentinho. Você sabe fazer isso, sempre fez. Então, continue fazendo, por favor. 

 

No caminho de volta para casa, olhei para o meu relógio e me lembrei do motivo pelo qual eu o uso. Respirei fundo e entendi que talvez eu esteja levando isso que aconteceu a sério demais. Mas não posso ignorar o que eu senti e sabemos o quanto é importante conversarmos. O óbvio precisa ser dito às vezes. É óbvio que fiquei triste. É óbvio que exagerei. É óbvio que preciso me sentir amado. É óbvio que eu preciso do teu cuidado e carinho. É óbvio que quero conversar com você e saber sobre seu dia. 

 

É óbvio que eu te amo.

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #14 - Pratos no chão

10/01/2026, sábado.
 

O Diário de Bordo (secreto) de hoje é um pouco diferente. Não em sua forma e nem pelo seu conteúdo, mas pelo seu horário de publicação e de leitura. Assim como o diário #07, que curiosamente também foi publicado em um sábado, mas lido por você apenas no domingo, este diário de hoje terá o mesmo destino.

 

Mas os motivos são diferentes. O texto da semana passada só foi lido no dia seguinte por uma questão de logística da tua parte. Você precisava acordar cedo o bastante para tua viagem à Milão e, para tanto, precisava dormir mais cedo que o habitual. Além disso, eu estava tatuando e o diário seria postado com certo atraso. O que no fim das contas foi ótimo, pois você teve algo para ler durante o trajeto. Sei que gosta disso.

 

Já a postagem de hoje não aconteceu no horário habitual pois me dediquei a escrever outro texto (tão importante quanto este e muito mais secreto). E como eu sabia que você iria chegar muito tarde em teu hotel (e cansada o bastante), achei por bem escrever este diário (#14) para ser lido só no dia seguinte por você.

 

Você já entendeu como sou apegado às tradições. Essa que criamos do blog é uma das que eu mais gosto. Para quem está lendo esse relato da nossa história no futuro, entendeu que todos os dias durante a tua viagem, eu escrevi algo para ti. E para manter a periodicidade, o texto foi escrito no dia 10 de janeiro, por isso, a data ali em cima não é a mesma na qual você está lendo agora (dia 11). Tudo isso para manter a lisura da tradição.

 

Então, para todos os efeitos

 

BOM DIA!

 

Câmbio.

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Nenhum historiador consegue cravar ao certo quem inventou, mas o que se sabe é que a tradição dos gregos de quebrar pratos data de pelo menos 4 mil anos atrás. O que dá para cravar são os motivos da curiosa atitude. Para muitos pesquisadores, quebrar pratos em eventos festivos na Grécia pode significar uma tentativa de expulsar espíritos ruins que, segundo a tradição, teriam medo do barulho da cerâmica se espatifando no chão.

 

Outros entusiastas da história acreditam que malhar pratos no chão traz boa sorte, por isso é um hábito muito presente em festas particulares de casamento ou até mesmo de aniversário. Pratos e mais pratos se transformam em cacos em celebrações animadas com cantoria e danças típicas. Essa é uma imagem da Grécia que eu tenho no meu imaginário.

 

Mas não se anime. Celebrar assim já não é uma prática aceita pelas autoridades gregas. Muitos acidentes acontecem por causa dos gregos mais animados que acabam se empolgando e se ferindo (ou ferindo outras pessoas) com os cacos de cerâmica que se espalham por todo o lugar. Restaurantes e locais públicos não são lugares onde essa tradição acontece. Talvez ela sobreviva nas festas particulares, mas em outras localidades, substituíram os pratos pelas flores (muito menos perigosas).

 

Hoje, fui até a Polotto encontrar uma amiga muito querida de nome grego. Alethea (que significa "verdade") é uma amiga verdadeira. Ficamos alguns meses sem nos falar por motivos de agenda mesmo, mas desde que nos reconectamos em 2020, nos tornamos grandes parceiros das mesas de café com discussões de alto nível sobre o mundo e sobre nós mesmos. E a verdade é que eu não poderia não falar de você para ela.

 

Guardada às devidas proporções, ela é tão minha amiga quanto o Diego e o Alex, mas confesso que não pretendia encontrá-la por esses dias e por isso nem cogitei chamá-la para conversar e, a exemplo do que fiz com os dois, contar tudo o que eu estou vivendo contigo. Mas acabou que ela mesma me mandou mensagem, combinamos de tomar um café e entendi que seria o momento perfeito para contar nossa história. Seria bom ter a visão de uma mulher (além da visão da minha mãe que, para todos os efeitos, sabe só uma parcela da história) sobre isso.

 

Enquanto estava com ela na padaria (das 10h às 14h), quatro pratos foram quebrados pelos funcionários da Polotto. Média de um prato por hora. E sinceramente, eu não me lembro de uma constância desse tipo lá. Me lembrei na hora da tradição grega e, obviamente, me lembrei de você (como se eu tivesse te esquecido por algum momento, risos). "Será que isso é mais um sinal ou simplesmente falta de destreza dos funcionários da padaria?". Prefiro acreditar na ideia de que o universo estava me lembrando o quanto eu tenho sorte.

 

Constatei minha sorte quando terminei de narrar nossa história para Alethea. É bem verdade que resumi muitas coisas, mas deixei claro o quanto eu estava perdidamente (ou achadamente) apaixonado por você. Ela, como se fosse a dona da própria verdade, entendeu o que eu estava dizendo e ficou feliz por mim e por você. Ela achou tudo muito fofo e ficou muito interessada em ler o Memórias do Futuro. Disse que um dia eu publicaria e ela poderia ler, mas dei um panorama geral da história. "Você sobe muito a régua, Felipe", constatou. Tive que concordar.

 

(Acho até que quando for publicar esse conto que te escrevi, um bom Storytelling para publicizá-lo é justamente contar o motivo e as inspirações que fizeram ele ver a luz do dia. Pensarei mais a respeito, mas gosto da ideia)

 

Enquanto isso, você estava "habitando outro planeta" em cima dos montes e seus mosteiros. Se eu fiquei impressionado com as fotos, eu não consigo imaginar o que você sentiu vendo ao vivo. Que lugar incrível! Um lugar que eu jamais imaginaria colocar em meu roteiro de viagens. Isso me faz pensar que quem deveria ficar responsável pelos roteiros das nossas viagens é você. Me lembre disso, ok?

 

E a coincidência do dia foi você estar usando exatamente o figurino do meu sonho nesse passeio (que eu só pude confirmar graças a um story de sua mãe e depois com certo custo, uma foto que você me enviou). Não sei o que te aconteceu hoje que estava relutante em me mandar imagens. Nenhuma selfiezinha para eu poder enaltecer tua beleza. 

 

Mas voltando ao sonho que gerou os blogs ultra secretos, como é curioso que esses nossos papos ficaram mais intensos justamente nos dias no qual você visitou o Vaticano e os mosteiros de Meteora. Mas achei ótimo! Como disse no motivo do dia, você faz o profano ser praticamente sagrado. 

 

(E me dê licença para explicar uma coisa para quem está lendo este texto no futuro. Todos os dias, eu escrevo um motivo que me faz gostar da moça que me inspira a escrever estes relatos diários. "O que te faz gostar de mim?", ela me perguntou um dia. "Vixi... se eu começar a escrever aqui, vou terminar de escrever sabe-se lá quando. Posso escrever um motivo por dia se eu quiser", respondi e assim passei a fazer.)

 

O bom é que esses papos sagradamente profanos que temos um com o outro geram, além de conteúdo para nós, uma certeza interessante. "Te amar por completo é o que eu mais amo", te disse. Te amar em todos os âmbitos é surreal de bom. É amar o pacote completo, como você bem disse. E isso me faz lembrar dos pratos quebrados. Cada dia mais me convenço de que tenho muita sorte.

 

Porém o azar do dia foi não ter me despedido de você como tradicionalmente fazemos (eu sei, sou apegado às tradições). Tudo bem que o meu dia começou com meu coração bem quentinho com a sua mensagem de bom dia. Acordar, olhar para o celular e ver que existe uma notificação de mensagem sua me deixa tão feliz. É um daqueles detalhes que te falei um dia desses. Pode até parecer bobo, mas para mim é um sinal de cuidado e carinho gigantescos. 

 

Como também é nosso "Beijo. Outro Beijo". A primeira vez nessa viagem que não nos damos boa noite como de costume. Até mesmo na semana passada quando você precisou dormir mais cedo, você acordou pois se lembrou que não tínhamos trocado "beijo". Mas não pense que estou chateado com você. Em definitivo. Foi um dia muito cansativo e vocês chegaram muito tarde no hotel. Cair no sono (como acho que aconteceu) era o esperado. 

 

Mas confesso que agora, escrevendo este texto e pensando a respeito, sinto que falta algo. Sabe? É dormir com um pedacinho faltando. Só que eu repito, não estou chateado. Então nem precisa pedir desculpas, por favor. Na próxima noite, você me manda dois beijos! 

 

Eu sinto muito a tua falta. Felizmente a gente se fala todos os dias e isso ameniza. E mais felizmente ainda, já no próximo domingo, em algum momento do final da tarde, nós estaremos juntos (seja na varanda tomando vinho, na mesa vendo suas fotos, no sofá abraçados no silêncio ou no meu escritório matando a saudade com todos os beijos possíveis). Já disse que não quero ser a pessoa que torce para os dias passarem rápido. Que eles corram lentos para que você aproveite cada segundo da tua viagem. Por outro lado, não reclamarei se eu piscar os olhos e ver que chegou o dia de te ver.

 

Mas para nível de curiosidade, falta uma semana para completar os 23 dias longe de você. Sinto que é o sprint final, a tomada de fôlego para o mergulho derradeiro. Isso me anima e me enche de energia. É como a música diz, "daqui a pouco, certamente você será minha". Sinto isso. Sinto que falta muito pouco para a gente começar um espetáculo no qual já escrevemos o roteiro. Está logo ali, basta irmos pegar.

 

Tenha um dia maravilhoso! Como sempre, ficarei esperando pelas tuas novidades.

 

Eu te amo!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #13 - O sonho grego

09/01/2026, sexta.
 

Quando você me perguntou se eu tinha algum livro sobre a Grécia (e se eu te emprestaria), eu dei graças a Deus por ter um na minha biblioteca particular. Achei simbólico ser do meu autor favorito, o Isaac Asimov. 

 

Não pensei duas vezes em ir imediatamente na minha estante, pegar o livro e pensar em algo para ti. Tudo veio muito fácil e rapidamente preenchi os cantos das páginas certas com mensagens que fariam sentido só para você. Lembro bem da tua cara, saindo da sala de aula com o livro nas mãos e todo decifrado. Queria era ter visto a tua cara lendo.

 

"Ual! Ela vai para a Grécia! Vai ser uma viagem e tanto!", pensei enquanto escrevia no livro. Para um professor de filosofia, a Grécia é um solo sagrado e um dos meus grandes objetivos de viagem é conhecê-la um dia. Existem alguns lugares específicos que eu gostaria de visitar, o Sítio Arqueológico do Liceu (escola do Aristóteles), a Academia (escola do Platão), Monte Filopappos (a prisão no qual ficou Sócrates) entre outros inúmeros lugares.

 

Porém o lugar que eu mais quero conhecer é a Acrópole de Atenas. Muito por causa do Partenon e da vista impressionante que se pode ter da cidade. Ver o templo dedicado à deusa Atena e imaginar o volume de pessoas que estiveram ali há cerca de 2400 anos pedindo por sabedoria, me encantaria demais.

 

"Você faz uma ligação de vídeo no dia que você estiver lá?", pedi. E você não titubeou. Disse que faria isso com certeza. E eu confesso que estava ansioso para esse dia chegar. Bem, ele chegou.

 

Câmbio.

.

 

Eu sou um sujeito que fica muito satisfeito com seis horas de sono. Mas independente de quantas horas eu tenha dormido, eu vou acordar no horário que eu preciso. Depois, durante o dia, ou na noite seguinte, a conta vem. O que eu quero dizer é que se eu conseguir dormir seis horas, meu dia será ótimo.

 

Mas isso não impede meu cochilo pós almoço. Eu preciso de 20 minutos. Nem mais, nem menos. Com 20 minutos de sesta, meu dia fica muito mais produtivo durante a tarde e principalmente no período noturno. E durante o período de férias, estou abusando da soneca.

 

Ontem foi um desses dias cheios de preguiça. Dormi depois de almoçar e fiquei enrolando no sofá, mas a emergência de resolver a edição de 2026 do Pupilos me fez sair de casa e conhecer o café no qual reunirei meus ex-alunos queridos.

 

Na volta, o mundo caiu em Jundiaí. Raios e trovões inacreditáveis fizeram daqui um verdadeiro inferno chuvoso. Minutos depois de eu ter chego em casa, um raio caiu tão perto que fez a energia acabar por alguns segundos. Só fiquei imaginando se eu estivesse no elevador nesse momento. Ufa!

 

Fiquei pensando como os gregos interpretavam esse tipo de tempestade. "Zeus está zangado!", diria um cidadão médio em Atenas. "Deve estar discutindo com Era", falaria outro mais versado à fofoca. "Talvez esteja travando uma guerra com os Titãs que tentam escapar do Tártaro", arriscaria um jovem com ímpeto de guerreiro. "Será que Zeus veio até Jundiaí dar um rolê?", foi o que eu pensei.

 

O fato é que Morpheus, deus do sono, foi generoso comigo. O climinha pós tempestade de verão somado ao calor dos trópicos me fez bocejar. Ainda não eram 19h aqui, mas agradeci o sono que se aproximava. Fiz os cálculos: "Se eu dormir às 21h, vou acordar às 3h com tranquilidade". Seis horas de sono. Ótimo!

 

Enrolei mais um pouco como podia e exatamente às 21h estava de banho tomado e deitado na minha cama. Mas Morpheus se esqueceu de mim e o sono simplesmente desapareceu. Já havia passado meia hora e eu ainda estava acordado. Eu queria acordar às 3h para estar minimamente apresentável na hora que você fizesse a vídeo chamada. Eu ia odiar atender você completamente grogue e com a cara inchada sem saber muito bem o que estava acontecendo. Fechei os olhos na esperança que o sono viria. Não sei quanto tempo demorou, mas ele veio.

 

Era perto das 2h50 quando pessoas na rua começaram a gritar. Isso me acordou. Durmo com a janela aberta e sem nenhuma chance da gritaria passar despercebida. Não sei muito bem o que estava acontecendo, eu estava grogue e com a cara inchada. Constatei isso quando fui lavar o rosto. 

 

Já que eu havia acordado, fui para a sala e comecei a responder os recados dos alunos que confirmaram sua presença no meu aniversário. Muitos deles responderam após as 21h, porque muitos deles estão dormindo tarde, aproveitando o fato de não precisarem acordar mais cedo. Quando respondi a todos (fico pensando o que eles pensaram sobre o ex-professor responder um recado às 3h da manhã), não tinha mais muito o que eu fazer a não ser esperar.

 

Peguei meu livro para me distrair e às 3:39, a fuga do professor Robert Langdon foi interrompida pela vibração do meu celular (que estava do meu lado). Acho que atendi no primeiro toque. E lá estava você, em um dos lugares que eu mais sonho conhecer no mundo. Eu só conseguia ficar feliz.

 

Nós nos falamos como sempre, com muitas exclamações, sorrisos e gestos. A ligação durou pouco mais de dois minutos (e nem horas seriam o suficiente), mas eu fiquei muito feliz. Primeiro porque você realmente fez o que prometeu para mim; segundo porque foi a primeira vez nessa viagem que nos falamos de maneira síncrona (e nos vimos também); terceiro porque você estava na Acrópole e muito feliz; e quarto e não menos importante, porque era você do outro lado do telefone.

 

"Saudades", "Amo você" e selfie! Eu deveria estar um pouco grogue ainda, pois foram três tentativas para a selfie sair. Mas saiu. Nós dois felizes por você estar onde está vivendo o que está vivendo. Não quero soar repetitivo, mas como me alegra ver você feliz.

 

Ah... sem contar que você estava belíssima. E não vou usar o gracejo da "deusa" pois eu já gastei essa na conversa de hoje.

 

Eu estava tão energizado que juro por Atena, se não fosse 3h da manhã, eu colocaria um tênis e correria pela Ferroviários. Para compensar, ouvi uma música que gosto muito quando estou cheio de energia e feliz: Ultra Violet (light my way), a mesma que nosso herói Eule ouviu para correr atrás de nossa heroína Biene.

 

Deitei na cama como um adolescente que acabara de ver a menina mais bonita da escola dando oi para ele no corredor na saída da aula. Fiquei pensando em você e em como seria se eu estivesse aparecido aí como um dia cogitamos. Fiquei pensando nas viagens que faremos ainda. Fiquei pensando na gente explorando os lugares mais legais do mundo. Fiquei pensando em nós dois... E adormeci.

 

Pensei tanto que sonhei com a gente em um aeroporto cheio de alunos que nos reconheciam. Julguei que estávamos todos de férias (o que é natural) indo passear. Só não sei dizer para onde estávamos indo. Mas quer saber? Pouco importa. Se for com você, qualquer lugar vai ser a melhor viagem de todas. E temos muitas melhores viagens de todas para fazer.

 

Acordei pensando em Eule e Biene e em um desfecho para essa história. Já te adiantei isso, mas acho que o mais justo seria ele ir atrás dela na Grécia e construirem a vida juntos lá (ou aí, no seu caso). Vou escrever, mas quero escrever isso quando você estiver aqui, do meu lado, lendo seu livro da vez. Consigo até sentir a paz que isso vai causar.

 

Aproveite mais da Grécia. Aproveite muito! Cada minuto e cada lugar. E se você achar que você realmente nasceu para viver nessa cidade e quiser viver aí, minha resposta é "Bora" (do grego que significa, "Para você, sempre será sim!").

 

σε αγαπώ!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

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Diário de Bordo (secreto) #12 - Os Pupilos

08/01/2026, quinta.
 

Minha memória não é a melhor do mundo. Muita coisa me foge, sobretudo algumas coisas importantes como datas (essencial para um professor de História, Filosofia e Sociologia). Já outras coisas, mais triviais, saltam do meu cérebro muitas vezes sem ao menos eu pedir.

 

Uma dessas coisas triviais, sobretudo, foi uma conversa que tivemos muito rápida na sala dos professores quando eu fiz um comentário sobre o evento que eu havia inaugurado há poucas semanas: Os Pupilos do Schadt. Você ficou encantada com a ideia. Eu lembro vivamente disso.

 

Mal sabia eu que, um ano depois, eu estaria dividindo com você tudo sobre os bastidores desse evento e os dilemas que ele me causa (e que você, em uma sala de embarque do outro lado do oceano, estaria me ajudando a resolver).

 

Esse mundo gira e gira muito!

 

Câmbio.

.

 

Eu estou em um café belíssimo, com um pequeno sebo, sofás confortáveis, piso de casa de vó, cafés com nomes interessantes, bolinho de chuva e outras delícias e tudo o que eu mais quero e poder mostrar isso para você quando você voltar.

 

Uma vez, uma aluna minha pediu para mim se a namorada dela poderia assistir uma aula minha. Eu estranhei o pedido, mas autorizei. Na minha cabeça, ela só queria ficar mais tempo com a namorada dela e, durante a aula, teria a presença da amada. “Sabe o que é, professor? É que eu sempre falo das tuas aulas pra ela e do quanto eu gosto. Acho que ela vai gostar também.”

 

Foi aí que eu entendi uma verdade sobre o amor. Além de desejar que o outro seja feliz, é dividir uma alegria que você sentiu com o outro. E é assim que eu me sinto agora. Estou tão contente nessa cafeteria que eu queria compartilhar com você esse contentamento. Compartilhar… talvez o amor seja em grande medida isso. “Quero compartilhar com ela aquilo que me alegra”. Bonito.

 

(E eu tenho certeza que você faz isso toda hora aí nessa viagem em relação a mim. Sinto meu coração quentinho às vezes do nada. Acho que isso acontece quando você pensa “adoraria que o Felipe estivesse aqui para ver isso”)

 

Gosto de compartilhar momentos com as pessoas que eu amo. E eu amo meus alunos. Há alunos que eu amo tanto que é insuportável não poder ser mais professor deles. Mas é como eu disse uma vez (e a turma do terceirão fez questão de imprimir em uma caneca personalizada para mim): “A triste e linda dinâmica da vida de um professor. Deixar ir para outros chegarem.”

 

Mas eu encontrei um jeito de driblar a parte do “deixar ir”. Completamente influenciado pelo professor Horácio Slughorn (Harry Potter), que adora promover jantares para seus alunos favoritos, eu resolvi comemorar meu aniversário com os meus ex-alunos favoritos. Assim, todo ano eu posso reencontrá-los e manter um dos meus bordões favoritos ativados, o “vem comigo”.

 

Ouvir suas histórias, fazê-los se conectarem com outros ex-alunos e lembrar das coisas que vivemos juntos na escola é simplesmente maravilhoso. Eu pouco falo. Gosto de, como sempre, dar o protagonismo para eles inclusive no meu aniversário. E faço isso porque é um presente para mim me cercar de tanto aluno querido.

 

“Até eu queria ser uma pupila!”, disse você algumas vezes. Isso é muito legal, pois você entende de fato o significado desse evento. Sabe a partir da minha ótica de professor e da ótica de uma aluna. Eu também iria adorar ser escolhido por um dos meus professores favoritos para celebrar seu aniversário com um seleto grupo de ex-alunos. Eu iria me sentir muito especial.

 

E o lugar que eu encontrei é lindo. Tem bastante espaço para acomodar todos. O mais legal é que não precisaremos ficar em uma mesa única. Eu não gosto do “mesão” porque nunca dá para conversar com todos. Aqui, eles podem ficar mais a vontade e a gente vai, ao andar da comemoração, se conectando. Aí entrará o meu trabalho de ser a “argamassa” entre eles. Adoro essa função.

 

Eu quero que venhamos aqui antes disso. “Almoçar no japa e tomar um café aqui depois”. Plano perfeito! E eu também quero que você apareça aqui “por acaso” no dia 24. Vou me sentir mais feliz ainda, pois vai ser a primeira de todas as edições dos Pupilos do Schadt que você estará presente comigo. 

 

Isso me faz lembrar do jantar que daremos para os “mais mais” em nossa casa um dia. Essa coisa que nós, que sabemos muito bem nos conectar com eles (da forma mais humana possível), ficamos empolgados em fazer.

 

Eu adoro o fato de compartilharmos da mesma profissão. Pois coisas como essas fazem tanto sentido para você, quanto faz pra mim.

 

Agora preciso interromper a escrita. Só estou eu na cafeteria e o mundo vai cair em Jundiaí.

 

Eu amo você!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #11 - Os olhos verdes

07/01/2026, quarta.
 

Hoje eu passei o dia todo fazendo a coisa mais de adulto possível: pagar contas. E pegar constas inclui, para mim, planilhar tudo para saber exatamente onde estou gastando mais, onde posso economizar no mês seguinte, onde eu extrapolei. 

 

Eu nunca fui o cara mais controlado do mundo para dinheiro, longe disso. Minha política sempre foi “fazer primeiro e ver como paga depois”. Não sou a pessoa que sabe exatamente quanto ganha e, se eu estiver recebendo menos do que eu deveria em algum dos meus trabalhos, dificilmente eu perceberei (a não ser que a diferença seja um absurdo tão absurdo que eu perceba).

 

O fato é que desde que passei a morar sozinho, as coisas mudaram para mim. Um senso de controle de gastos passou a fazer parte do meu dia a dia. Mas também nada extremo. Não gosto de passar vontades e ainda acho que sempre dá para dar um jeito. Porém, as loucuras que eu faço e farei, precisam ter um motivo muito forte para justificar tudo.

 

A Copa do Mundo no México é uma loucura que tem muitos motivos, todos eles fortes o bastante para sustentar essa viagem (o maior de todos é ver você realizando um sonho). E na minha planilha de controle de gastos, essa viagem e muitas outras coisas que envolvem nós dois já têm suas colunas e linhas criadas. 

 

Eu fico feliz em ter planos com você. Mas fico muito mais feliz quando planejamos esses planos. Mas nada será mais alegrador quando estivermos vivendo os sonhos planejados. E são vários! Felizmente, temos todo tempo do mundo para realizar tudo o que a gente quer.

 

Câmbio.

.

 

O tempo é relativo mesmo. Sempre me lembrarei da belíssima cena do filme “Lisbela e o Prisioneiro” no qual o personagem do Selton Mello, encarcerado, tem uma visita rápida da sua amada, interpretada por Débora Falabella. Na ocasião, Lisbela está prestes a se casar e, num ato de amor desesperado, vai se despedir do homem que verdadeiramente ama. Os dois conversam entre as grades da cela e quando ela anuncia que precisa ir embora, Leléu diz uma das frases que eu mais gosto do cinema nacional: “O tempo passa ligeiro quando eu tô com a senhora”. 

 

E assim é. Parece que os dias que você esteve comigo duraram segundos, ao passo que esses 12 dias sem te ver já duram, nas minhas contas, uns três anos e meio. Eu sei, sou dramático. (E também sei que você gosta do meu drama às vezes).

 

Olha eu aqui, mais uma vez falando sobre a saudade. Mas é como você disse hoje: “Só aumenta!”. Isso me faz repensar minha tese sobre a saudade. Na tese original, os encontros são responsáveis pela criação do bloco de alegria na alma. É possível blocos de alegria serem criados à distância? 

 

Acho que sim. Afinal, mesmo a 9600 quilômetros de distância, você é capaz de me alegrar e criar blocos e mais blocos de felicidade na minha alma. E você já sabe, quanto mais blocos, mais buracos na alma e quanto mais buracos, mais saudade. Ou seja, você está certa, quanto mais nos alegramos à cada dia, à cada mensagem trocada, à cada carinho com as palavras que dividimos, mais buracos na alma causados pela ausência. 

 

E essa coisa de saudade é um buraco sem fundo. Não iremos viver colados. Por mais que casemos um dia, sempre haverá a separação. E ainda bem, né? Gosto de sentir saudade de você, pois a saudade dá aquele frio na barriga maravilhoso que sinaliza a urgência da falta que a pessoa te faz. E é sentindo a tua falta que eu percebo a urgência em te ver outra vez. 

 

(Que fique claro, espero que a gente não precise ficar tanto tempo assim sem se ver, mas se preciso for, a saudade só vai ser um indicativo do quanto eu amo você)

 

Hoje a saudade apertou bastante. E não dá para fazer nada a não ser esperar. Mas eu criei algumas técnicas para driblar isso. Green Eyes! Às vezes eu ouço essa música e isso já me ajuda. Quando não é o suficiente, eu toco ela, seja no piano ou no violão. Qual é a técnica? Eu, enquanto toco, preciso me concentrar nas notas e tudo mais. Enquanto estou focado, em estado de fluxo, eu imagino que você está perto de mim em cenários diversos.

 

Existem dois que eu gosto bastante. O primeiro cenário é você aqui, comigo, me escutando cantar sentada no teu canto do sofá com o um livro nas mãos, pousado na tua perna, para que você possa prestar atenção nos pouco mais de três minutos de música. Já o segundo cenário acontece na escola, com a turma do terceirão, no último dia de aula, no qual eles pedem para eu levar o violão do Coldplay e que eu toque algo. Nesse segundo cenário, eu dedico essa música “para a mulher de olhos verdes mais linda do mundo e que, por uma feliz coincidência, dá aula no mesmo lugar que eu”. Risinhos da turma para você e teu sorriso indisfarçável.

 

Por isso eu sempre toco de olhos fechados. Para flutuar nessa quimera e, pelo menos durante a canção, saber que estou vivendo o que estou imaginando. E é tão louco que eu sinto você perto de mim nesses momentos. Às vezes eu dedico essa música para você, consciente de que você não está aqui. “Para a dona dos olhos verdes que sempre me fazem sorrir”. E começo meu show particular sem plateia nenhuma.

 

Eu resolvi me gravar tocando essa música hoje. Já que a saudade havia batido forte, eu sabia que minha performance seria minimamente boa. Bom, seria do fundo do coração, pelo menos. E foi. Não precisei gravar uma outra vez para postar. Foi de primeira, exatamente como as obras de arte cheias de aura, fazendo referência a Walter Benjamin. Postei e eu sabia que você também saberia o endereço certo da postagem.

 

Ah… E você também sabia que você iria abrir o Instagram e veria algo bonito postado pra você. Claro que sabia. Porque no fim das contas, eu nunca toco essa canção para uma platéia vazia. É sempre para você e você sempre está, de uma maneira ou de outra, assistindo ao meu show particular.

 

E eu nem preciso do teu aplauso. Saber que você sorriu já é tudo o que eu quero e preciso. 

Gosto de saber que você sabe que as coisas bonitas que eu posto são para você. É importante. E também será importante quando todo mundo souber disso. Hoje foi só a Bia (e talvez nossos amigos que sabem nossa história) entendeu que as coisas bonitas que posto tem você como destino. Achei engraçado e fofo.

 

(A música da vez é In a Little While, ok. Isso se dá pela circunstância do “daqui a pouco”. Mas Green Eyes diz tudo sobre a gente, penso eu)

 

Eu sei que você já conhece a letra, mas deixarei ela aqui para você ver e dar razão para mim quando eu digo que ela diz tudo sobre nós e também para os leitores e leitoras do futuro que podem ter acesso a esse Diário de Bordo Secreto saberem de qual música estou falando.

 

Querida você é uma rocha

Sobre a qual eu me sustento

e eu vim aqui para conversar

Espero que você entenda

 

Os olhos verdes

Sim, o refletor

Brilha sobre você

E como poderia alguém te negar?

 

Eu cheguei aqui com um fardo

E ele me parece tão mais leve

Agora que eu te encontrei

Querida, você deveria saber

Que eu nunca poderia continuar

Sem você

 

Olhos verdes

 

Querida, você é o mar

Sobre o qual eu flutuo

E eu vim aqui para conversar

Eu acho que você deveria saber

 

Os olhos verdes,

Você é aquela que

eu queria encontrar

E qualquer um que tentasse te negar,

Deveria estar maluco

 

Porque eu cheguei aqui com um fardo

E este me parece tão mais leve

Desde que te encontrei

Querida, você deveria saber

Que eu nunca poderia continuar

Sem você

 

Olhos verdes

olhos verdes ohohohoh

 

Querida, você é uma rocha

Sobre a qual eu me sustento

 

Eu amo você (e seus olhos verdes).

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #10 - O sonho

06/01/2026, terça.
 

Poxa vida, eu te escrevi um conto no qual as personagens sonham uma com as outras 251 dias seguidos! Enquanto isso, eu não consigo ter um sonhozinho se quer com você. Tudo bem que eu queria ter um sonho daqueles que faz a gente acordar arrependido de ter acordado. Você sabe do que eu estou dizendo.

 

Sei também que aí, do outro lado do Atlântico, você gostaria de ter a mesma dádiva. Sonhar um sonho que faça você matar um pouquinho que seja da saudade e vontade de mim. Mas até agora, mesmo tentando pensar muito, nada feito.

 

Só que a sorte resolveu sorrir pra mim justo hoje, um dia depois de falarmos exatamente sobre isso. O cérebro é fantástico mesmo. Acordei de um sonho maravilhoso com você. Pelo spoiler que te dei hoje mais cedo, você entende a magnitude da coisa, não é?

 

Bom, eu escrevi algo para você. Mas falo do sonho depois. Antes eu queria dizer como eu contei o sonho que eu estou vivendo com você para o meu melhor amigo.

 

Câmbio.

.

 

Atenção: eu sei que você está ansiosa, mas preciso fazer um pequeno relato para manter a periodicidade dos diários. Prometo ser mais objetivo neste para você ler o que você quer ler.

 

Tenho dois grandes amigos na minha vida. Um você já conheceu, o Diego. O outro você ainda precisa conhecer, o Alex. Resumidamente eu conheço o Alex desde os 12 anos. Estudamos juntos no ensino fundamental II e continuamos nossa jornada juntos depois da faculdade. Eu e ele éramos os professores mais jovens da Unifaccamp. Ele se tornou Doutor em Estatística e eu Mestre em Comunicação. De certa maneira, nossa vida sempre foi muito paralela. 

 

Ele se casou há quatro anos e mora em Paulínia com a esposa. Eu a conheço menos do que eu gostaria, confesso, mas a gente deu uma afastada por motivos da vida. Mas sempre mantivemos o contato.

 

Quando ele disse que estaria na casa de seus pais, fiquei animado em recebê-lo aqui. Afinal de contas, faz quase um ano que não nos vemos. Eu queria muito contar para ele sobre você, afinal de contas, ele é meu melhor amigo.

 

Contar sobre a nossa história foi perceber que estamos vivendo um sonho, ou nas palavras do próprio Alex: "Sonho de 'princeso'". É muito louco todas as coisas que vivemos em dois meses e tudo que temos para viver. Verbalizar para alguém completamente de fora é curioso. Ele ia vivendo a montanha russa que foi à medida que eu contava. Não falei das nossas projeções, mas finalizei dizendo o quanto me sinto animado em construir algo com você.

 

Ele foi embora tarde daqui. Para quem está acostumado a dormir às 22h, ficar acordado até quase 01h é mais complexo. Mas eu não sofri, gostei de ter contado para ele e quero muito que um dia nós os visitemos em Paulínia. Ele me disse que esse ano depois que voltarem da viagem que farão para Itália (veja você), eles vão tentar engravidar. Fiquei empolgado por ele. A esposa dele é sete anos mais nova e vi uma similaridade muito grande nas projeções. Percebi que comungamos do mesmo sonho.

 

Antes de dormir ainda tive a sorte de falar com você um pouquinho. Acordou antes do que deveria e conseguimos nos falar. Você não havia sonhado com nada em relação a nós dois naquela noite. Tudo bem. Eu já estava indo dormir sem muita perspectiva, mas imaginei nós dois juntos... Foi o suficiente.

 

Acordei querendo voltar imediatamente para o sonho. Mas fiquei animado em te contar o que sonhei. Bom, eu resolvi escrever. Mas não está aqui. Está em um lugar secreto. O link para acessar o texto sobre o meu sonho com você está aqui em algum lugar. Basta você pressionar no lugar certo. Eu tenho certeza que você sabe onde.

 

Eu amo você.

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #9 - Sorria para o print!

05/01/2026, segunda.
 

Se a Bia soubesse o quanto ela foi printada hoje... Talvez um dia ela saiba. “Bia, se você estiver lendo esse relato no futuro, saiba que não fizemos por mal, ok? Nós só queríamos ter nossos corações aquecidos sabendo o que uma das nossas ex-alunas favoritas de todos os tempos achava da nossa história. Te amamos!”

 

Pedidos vindouros de desculpas feitos, vamos combinar que nossa tática foi realmente muito boa (tudo bem que fomos nós quem fomos “vítimas” de um experimento). Além do entretenimento, acho que sentimos um pouco o amor que todas as pessoas que gostam da gente sentirão ao saber de nós. Principalmente os nossos alunos e ex-alunos.

 

Isso me faz lembrar do nosso tratado. Eu sempre achei você a melhor professora e você sempre achou que esse posto me pertencia. Bom, a gente decidiu que quando me perguntassem quem é o melhor, eu digo que é você e quando te perguntarem, você diz que sou eu. Aliás, precisamos assinar esse tratado na mesa de um café. E aproveite que agora eu estou tomando café.

 

Mas de print em print, nós vamos contando nossa história. Acho que um dia teremos que resgatar todas as nossas conversas. Será um exercício arqueológico interessante. Se um dia eu quiser escrever um livro sobre nós (e eu pretendo mesmo fazer isso enquanto você colhe uvas no nosso jardim gigante), esse trabalho deverá ser feito.

 

E eu daria tudo para dar um print do teu rosto neste exato momento que você lê isso e, sem perceber, sorri. 

 

Câmbio.

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Para muitos, o ano começou hoje. A primeira segunda-feira útil do ano. Para mim também iria começar. Separei várias coisas para fazer no dia. Telha Norte comprar coisas que preciso para dar uma arrumada em algumas coisas aqui de casa; mercado para abastecer a geladeira para as próximas duas semanas; fazer o orçamento do conserto do meu sofá; enviar o meu artigo para o jornal.

(Coisas de adulto que eu precisava fazer e contrastavam com o adolescente que habitava dentro de mim enquanto conversávamos hoje)

 

Todos os dias dessas férias eu acordei mega cedo (como você pôde notar e protestar) e hoje não foi diferente. Mas fiquei conversando com você ainda deitado e depois que você foi para o teu passeio de barco, eu simplesmente decidi que iria ficar na cama mais um pouquinho. Mas tenho uma excelente justificativa para essa preguiça.

 

Nós falamos sobre coisas que me fizeram pensar longe. A principal delas foi sobre casamento. Pergunte a quem você quiser (e acho que você já ouviu isso de mim em um contexto que éramos só colegas de trabalho), mas eu sempre proferi a seguinte frase jocosa sobre o matrimônio toda vez que me perguntavam se eu casaria outra vez: "É casando que se aprende". Ouvi essa frase do Faustão em uma aparição que ele fez no show de calouros do Silvio Santos (eu sei, muitas referências de gente velha).

 

Eu já me casei uma vez. Em tese duas, se contarmos que morar junto com uma pessoa configura casamento. Jamais iria me casar outra vez. Mas aí você apareceu... E eu imaginei muito rápido nós dois casando com toda a liturgia do rito. É... Eu já vi você muitas vezes de noiva na minha cabeça. E não preciso nem dizer que você estava deslumbrante em todas elas. "Nossa, Diego. Será que vou me casar outra vez?", perguntei para ele no sábado passado. "Má rapaz! Eu já me considero o padrinho!", ele disse com certa ênfase para me lembrar que ele não foi o meu padrinho na primeira vez que casei. Bom, dessa vez ele será. "Você vai ser agora, na vez que importa!". 

 

Isso é muito louco, pois além de não me assustar nem um pouco, é muito natural pensar e desejar isso. Mais natural ainda é a forma como isso vai acontecer. Ao mesmo tempo que, pelo que já notamos, somos muito bons em planejar. E eu adoro ter planos com você, pois todos eles são pertinentes, críveis e realizáveis. Somos uma dupla e tanto, não canso de dizer isso.

 

E o que falar desse plano da Copa, ein? Não tenha nenhum receio de levar isso a sério, pois é sério. Vamos fazer de TUDO para conseguir estar lá e você realizar esse seu sonho. E não há maneira mais adequada para nós do que começar nossa vida de viagens e sonhos realizados do que em uma Copa do Mundo! Já consigo sentir o frio na barriga em estar na sala de embarque com você esperando o nosso voo.

 

A própria Bia (“oi outra vez Bia”) disse que o amor por viajar é uma coisa que temos muito em comum. Mal sabe ela que isso é só a ponta do iceberg. Mas é isso. Iremos viajar muito. Já até desembalei o quadro do Mapa Mundi de raspadinha que eu tenho aqui. Está intacto e pronto para ser enquadrado e rasparmos todos os lugares que a gente for conhecer juntos. Ficará lindo em algum lugar da nossa casa.

 

Foi viajando desse jeito (dentro da minha cabeça) que eu resolvi dar uma chance para meu inconsciente me fazer sonhar com tudo isso por algum momento da preguiçosa primeira manhã útil de 2026. Não me lembro se eu sonhei (acho que lembraria), mas dormi pensando nisso e foi bom.

 

Depois que escrevi meu artigo, eu comecei a fazer um check list das coisas que eu precisava arrumar aqui em casa. Interruptores, janelas, sofá, parede... Coisinhas que demandarão um tempo. E eu gastei tempo considerável nisso ao ponto de notar que já precisava fazer meu almoço. Depois do almoço, mais preguiça. Um dia cinza e com muito vento. Fiquei com preguiça de sair e fiquei fazendo outras coisas que eu precisava, só que dentro de casa. Uma delas é dar uma limpada nos arquivos do meu computador. Gosto de iniciar o ano com ele "zerado".

 

Nesse meio tempo, não vi a hora passar. Quando dei por mim, estava pesquisando sobre os ingressos da Copa e só notei que já estava "tarde", quando você falou que precisava arrumar as malas. "Ops, preciso escrever o Diário de Bordo". Nem saí para correr. Pensei em ir durante a noite, mas receberei a visita de um grande amigo meu. O meu segundo melhor amigo (ele foi padrinho do meu primeiro casamento, que o Diego não fique chateado), o Alex.

 

Ele mora em Paulínia e não nos vemos há quase um ano, acredita? Ele é professor da Unicamp e o goleiro titular da época que eu jogava bola. É um irmão para mim. Ele veio visitar a mãe dele em Campo Limpo e me mandou uma mensagem dizendo que queria me ver. Estou ansioso para contar tudo sobre você para ele. Ele vai ficar muito feliz. Te conto tudo no texto de amanhã.

 

E para encerrar fazendo jus ao título deste texto, o que dizer do print do print que você me enviou? Refiro-me ao print da resposta da sua mãe ao print do meu comentário sobre ela me convidar para tomar vinho. Se eu não tenho roupa para tomar um café, imagina um vinho! Mas diga para ela que eu já aceitei. E se ela estiver lendo este texto em algum momento do presente ou do futuro, fica aqui o meu "Oi!!".

 

Está sorrindo outra vez, não é? Então sorria para o print!

 

Eu amo você (pode printar).

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #8 - Antes do amanhecer

04/01/2026, domingo.
 

Eu estava zapeando (termo de velho acostumado a mudar de canal na TV), ou scrollando (esse aí, termo mais conectado sobre o ato de passar o dedão no feed em busca de alguma novidade) a tela do meu celular e me deparei com uma cena de um filme.

 

A cena era a seguinte: um jovem rapaz estava saindo de um trem quando resolveu voltar para falar com uma moça tão jovem quanto ele que havia ficado em seu lugar. O rapaz tinha uma proposta maluca. Os dois, que são completamente desconhecidos, descerem do trem (que está parado em Viena) e aproveitarem o dia juntos. Ele apostou na conexão que eles haviam criado durante a viagem até ali.

 

Usou todos os argumentos que tinha e acabou convencendo a moça de sorriso bonito a saltar do trem com ele. A determinação do rapaz e a coragem da moça me lembrou nós dois. O filme se chama "Antes do amanhecer" e narra uma história sobre duas pessoas que aproveitam a chance que têm para viverem a vida que vale a pena viver.

 

Mas o filme também fala sobre a inevitável saudade que os dois sentirão quando o dia seguinte chegar. Saudade essa que estou sentindo nesse exato momento enquanto escrevo o oitavo episódio do Diário de Bordo.

 

Câmbio.

.

 

Já fazem nove dias que não nos vemos. E ainda faltam 14 dias para nos encontrarmos outra vez. Para quem estava já se acostumando a se ver pelo menos quatro vezes por semana de uma maneira intensa (sobretudo nos últimos dias antes da tua viagem), é muito tempo. Ao todo, 23 longos dias sem sua presença. Como já te disse, um recorde que eu espero nunca bater.

 

Hoje, especialmente hoje, eu senti muito a tua falta. E justo hoje que nos falamos tão pouco (para os nossos padrões). Sua ida para a Suíça te impossibilitou de qualquer contato. Imaginei que fosse isso e fiquei esperando ansiosamente você voltar a ter internet para falar com você. E o problema de acordar cedo é que o dia parece ser mais longo. Preciso repensar esse hábito, mas por outro lado, gosto de conversar com você bem cedinho, pois é algo que fatalmente (e felizmente) faremos no nosso cotidiano antes de ir trabalhar.

 

Eu fico muito preocupado em mandar mensagens toda hora. Não quero ser o chato que precisa de atenção enquanto você está aproveitando a tua viagem. E eu não sofro com isso. Eu também gosto de viajar e sei muito bem o valor de estar 100% presente no local que escolhi para passear. Seria muito injusto eu fazer você ficar olhando para uma tela de celular a maior parte do tempo para me responder.

 

Nós inclusive falamos sobre isso quando discutimos a tua viagem. Eu falei que eu sempre (ou na maior parte do tempo) esperaria pelo teu contato. Isso me deixaria mais tranquilo e sem a sensação de que estou "atrapalhando". E antes que você diga "mas você não atrapalha", eu sei que não, mas você entendeu o que eu quis dizer.

 

Esse afastamento físico é uma moeda. De um lado, tem a coisa boa. Do outro, a coisa ruim. Começando pela segunda face, como é ruim não poder estar com você. Caímos do "Complexo de Diógenes" que diz que quando aumentamos a nossa régua, não conseguimos mais nos acostumar com menos. Como me acostumar em ficar quase um mês sem você, sendo que é praticamente o mesmo período que a gente se descobriu aqui? Tenso!

 

Já a face boa dessa moeda é, paradoxalmente, a própria distância. Vou usar aqui uma analogia acadêmica. Quando nos afastamos do objeto, conseguimos compreender o seu todo. Muito perto, conseguimos ver apenas um ou outro aspecto que estamos focados. Estar longe de você me fez te ver e te sentir à distância. Percebi que o que eu sentia antes realmente é verídico. Meu sentimento por você só aumentou e eu sinto que aconteceu o mesmo com você. A gente se conectou muito e vem se conectando cada vez mais. Com isso, as certezas sobre nós dois só aumentam no meu coração.

 

Não tem como driblar a saudade. Eu fico aqui no meu mantra filosófico de que se sinto tanta saudade de você é porque você me causa uma alegria gigantesca! Decidi não evitar a saudade, pelo contrário, entendi que tenho que sentí-la. De certa maneira, a saudade fortalece o que eu sinto e vai me enchendo cada vez mais de você.

 

Outra coisa. Impossível tentar não pensar em ti (veja só, até quando uso o “ti” eu já penso em você). Eu nem tento, pois sei que será inútil. Tudo me faz lembrar de você. TUDO! Hoje, quando fui correr no Parque da Cidade, eu olhei para o banco que ficamos sentados um tempão conversando. Nossa! Eu quase pude voltar no tempo. Foi mais simbólico ainda por eu estar lá com o Diego. Foi nesse mesmo dia que eu e você estávamos no parque que fui fazer minha tatuagem e terminamos nos beijando no meu escritório (o mesmo que sempre venho para escrever e, automaticamente, lembrar-me de você).

 

Para ajudar, hoje é o aniversário da nossa ex-aluna favorita. Lembrar da Helô é lembrar de você e de como ela vai ficar maluca de felicidade quando a gente contar para ela. Eu quero muito contar e que bom que você também quer. A cena de vocês duas no restaurante e eu chegando do nada, sentando do teu lado, pegando na tua mão e dizendo: “E aí, já contou?”, faz com que eu me empolgue muito. Além de me deixar muito feliz.

 

Eu acho que estou prestes a fazer algo que irei me arrepender. Vou assistir ao filme "Antes do amanhecer" e suas duas sequências "Antes do pôr-do-sol" e "Antes da meia-noite". Eu tenho certeza que vou ficar bastante emotivo (chorar mesmo). Fiquei curioso para saber a história. Além disso, quero ver um romance de filme para ter mais certeza ainda que nossa história poderia estar nas telas do cinema (ou nas melhores livrarias).

 

No próximo domingo a gente ainda não vai se ver. Mas no próximo depois dele, a gente vai. Mas até lá, vamos dando nosso jeitinho de ficar pertinho um do outro. Podemos estar separados fisicamente, mas eu sinto que você está comigo e eu com você o tempo todo. Dizer isso deixa o coração quentinho e você está precisando manter o seu bem aquecido com o frio que está aí.

 

Eu te amo!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #7 - "Beijo. Outro beijo."

03/01/2026, sábado.
 

Eu sou apegado a tradições. Sobretudo àquelas que eu ajudo a criar. Uma que criamos, quase que sem querer e de forma natural, foi a nossa despedida de cada dia. Depois de tudo o que precisava ser falado, eu assumo a responsabilidade de te avisar que você precisa ir, você confirma e me escreve "Beijo". Eu respondo "Outro beijo". Você curte minha mensagem e eu curto a sua. Conversa finalizada.

Hoje, já com o braço dolorido (não pelas agulhadas, mas sim pela posição incomoda que ele teve que ficar), eu peguei meu celular e lá tinha um recado seu. Fofa e educada, a mensagem me dizia que pela primeira vez nessa viagem você não conseguiria esperar para ler o Diário de Bordo do dia pois precisaria acordar muito cedo, logo, dormir muito cedo.

O recado veio também cheio de amor. "Amo você!! Espero que esteja bem!" e um coração vermelho de adorno. Quando eu respondi, já era tarde demais, você, como anunciado, estaria dormindo. E por mais fofo, educado e amoroso, o recado não me dava um "beijo" seu. Ok. Superável. Mas confesso que senti que estava faltando algo.

Mas nossa conexão é transatlântica. Quando eu havia acabado de fechar a porta de casa assim que cheguei da rua, peguei meu celular e havia uma mensagem sua. Parei o que estava fazendo para ver o que era. Além das curtidas nos meus stories que mostravam minhas novas tatuagens, havia um recado seu. Simples e poderosíssimo: "Te amo!"

Aproveitei que você havia acordado no meio da noite milanesa para pedir o que era meu de direito. "Cadê meu beijo". Mal sabia eu que você havia acordado só para isso. Na verdade eu sabia, mas fiquei surpreso e feliz mesmo assim. 

Mas eu não ganhei meu "beijo" logo de cara. Ainda conversamos por quase uma hora sobre o assunto que a gente mais ama falar: nós!

Câmbio.
.

Eram exatamente 05:05 da manhã quando eu acordei sozinho. Assim como Eule, eu também gosto de acordar em horários de números combinados. Quando acordei, havia um recado seu. Eu amo acordar e ver que tem recado seu. Amo porque meu dia fica muito melhor quando a primeira coisa que eu vejo é algo que você mandou para mim. É uma sensação gostosa de que você estava pensando em mim enquanto eu estava dormindo.

Mas o auge foi a sua foto do "primeiro xixi em Milão"... Eu fiquei tão bobo com a imagem. Como te expliquei mais cedo, é uma forma estranhamente romântica de comunicação. A intimidade pode ser muito romântica. Nas mãos das pessoas certas, até mesmo uma foto do espelho do banheiro enquanto urina pode ser romântica.

Como você sabe, hoje eu havia marcado com o Diego de fazer uma tatuagem. Uma não, duas. Cada uma para homenagear minhas duas bandas favoritas: U2 e Coldplay. Duas tatuagens que eu sempre quis fazer, SEMPRE! Mas nunca fiz por motivos de "sei lá". Confesso que a convivência contigo me ajuda a destravar certos desejos que eu tenho. A tatuagem é um deles. Já pretendo fazer mais. Há duas em mente já. O Diego agradece.

E eu pensei muito nisso no caminho de casa até o estúdio de tatuagem. "Ela desperta o que há de melhor em mim. Quando quero correr, fazer novas tatuagens, escrever diariamente...". Você tem um poder muito bonito aqui, tá?

A tatuagem estava marcada para 14h30, porém algo mudou os planos. Meu amigo iria encontrar com a sua amiga antes. Eu teria que esperar o código: "Bora? Pode colar!". Nós temos muito o que conversar sobre isso inclusive. Tenho um relatório todo anotado na minha memória e sei que você também tem. Rezando para acharmos um momento para confabularmos a respeito.

Sabendo dos horários, resolvi ir caminhando. O plano era ir até o Mc Donald's, almoçar em 20 minutos e esperar ali o código de liberação para ir tatuar. Gosto de caminhar e o estúdio fica a quarentas minutos da minha casa. Pertinho. Quase sem bateria no celular e com o relógio já batendo 14h40, decidi que voltaria para casa e iria para o estúdio de carro. Não deu nem tempo, recebi a mensagem do Diego e, em 14 minutos, cheguei no seu estúdio.

Nesse meio tempo, eu e você falamos sobre o tempo que já estamos longe e do tempo que ainda resta antes de nos encontrarmos. Constatamos que é muito. Tanto o quanto já estamos separados quanto o tempo que ainda resta para nos encontrarmos. A saudade vai ficando cada vez mais voraz.

Para minha surpresa, a Ana Lu ainda estava lá. Que sorte que eu não fiz nenhum comentário inadequado enquanto subia as escadas para a sala do Diego. "Qual comentário inadequado, Felipe?", você deve estar se perguntando agora. Coisas do tipo: "E aí? Passou a régua?", para ser bem educado. 

"Como você está, Fê?", ela me perguntou. "Em estado de graça! Eu estou amando sua amiga, sabe? Ela é a mulher mais linda do mundo!". Ela riu e achou extremamente fofo a minha resposta. Falei o quanto você me faz bem e que até voltado a correr eu tinha. Isso animou o Diego que logo me convidou para corrermos juntos no Parque da Cidade na manhã deste domingo (logo mais se você estiver lendo isso bem cedo).

A nossa amiga não ficou muito tempo. Precisava buscar uma amiga dela na rodoviária para a viagem que ambas farão. Então ficou só eu e o Diego na sala. Entre uma agulhada e outra, conversamos muito sobre muitos assuntos, mas como sempre, você foi a estrela e reinou soberana por boa parte da conversa. 

Dei atualizações a ele sobre nossas últimas conversas e principalmente sobre nossas mães. O Diego ficou muito feliz com isso e deu aquela típica risada dele acompanhada de um "já era!". Eu fico com medo de ser chato às vezes por só falar de você. Mas o que eu posso fazer? Além do mais, falo para uma pessoa que conhece a nossa história e torce muito pela gente. No fim, a gente sempre é o assunto favorito.

Tatuagens feitas. Queria te mostrar o resultado, mas li seu recado. Não fiquei chateado. Eu entendo perfeitamente que você precisava dormir. Achei tão incrível sua preocupação em dizer que se sumisse era por motivos de sono maior. Parece bobo, mas é substancial. O cuidado com o outro é muito importante. Deixa o coração quentinho.

Bom, precisava voltar para casa. O plano era passar no mercado e comprar algumas coisas para o café da manhã. Só que eu e o Diego ficamos conversando na frente do estúdio por mais uns 40 minutos. Adivinha o assunto: você! Falei justamente do recado que você havia me mandado e de como isso é importante. Ficamos confabulando sobre a importância da manutenção de um relacionamento seja ele qual for. 

O papo foi interrompido pelas nuvens carregadas que ganhavam o horizonte jundiaiense de final de tarde. Botei meu fone de ouvido e caminhei sem nenhuma preocupação. Nem mesmo quando as primeiras gotas de chuva começaram a me molhar. Quando a chuva de fato veio, parei embaixo da cobertura de uma farmácia (a que fica do lado do mesmo Mc Donald's que eu havia almoçado horas antes) e, como um bom estóico, esperei. Não tinha nenhuma pressa (afinal estou de férias e você já tinha ido dormir, eu sabia que o blog poderia ser escrito mais tarde).

Assim que a chuva passou, fui até o mercado e comprei o que eu precisava. Botei tudo na mochila e segui caminho para casa. Eu não esperava ter, quando eu chegasse, uma conversa tão gostosa com você. Pra mim, nós só nos falaríamos no dia seguinte, mas fui surpreendido. 

E a surpresa ficou ainda mais gostosa quando você quis me agradecer por não ter desistido de você. Isso me pegou de jeito (no melhor dos sentidos). E eu só queria estar com você para te abraçar no silêncio e sentir paz, exatamente o jeito que você ama ficar. Já que não podíamos, fizemos umas das coisas que a gente sabe fazer de melhor: tocar carícias utilizando as palavras.

Agora são 22:55 e eu estou na frente do meu computador no escritório iluminado com as arandelas e o led, lembrando muito de você aqui e te desejando aqui comigo. Sua presença na nos meus pensamentos é muito forte e constante. 

Não vou desejar para que passe logo. Quero que você aproveite tudo dessa viagem sem nenhuma pressa. Eu só peço que a gente consiga suportar bem o tempo que resta para a gente se ver. Vai ser muito poderoso nosso reencontro, porque eu tenho a impressão que será a última vez que precisaremos nos reencontrar. Depois disso, caminharemos juntos com nossos braços tatuados unidos pelas nossas mãos.

Antes de eu encerrar o diário de hoje, quero que você imagine a seguinte cena. Nós dois deitados, com sono, e você pega meu rosto, me da um beijo delicado mas longo. "Um beijo", você diz baixinho. Eu retribuo o beijo com outro na mesma intensidade. "Outro beijo", eu respondo. Você se aninha no meu peito. Fechamos os olhos e dormimos em paz de saber que temos a melhor tradição de antes de dormir.

Eu amo você!

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #6 - Mãe é mãe!

02/01/2026, sexta.
 

Dona Josy, mas também conhecida como a senhora minha mãe, é uma mulher simples do interior do Paraná. Poucas coisas abalam seu bom humor e se der trela, ela falará sem parar por horas a fio sobre os assuntos mais triviais.

 

Fui visitá-la hoje. Aproveitei que a faxineira viria dar um jeito aqui em casa e, como não gosto de atrapalhar o trabalho dela, decidi passar a manhã com a minha mãe. Mas meu objetivo era contar para ela sobre você. 

 

Para contar para ela, criei uma estratégia muito simples. "Deixe ela falar bastante e ficar bem à vontade. Não é todo dia que ela recebe a notícia de que seu filho mais velho está apaixonado", pensei. Então, passamos boa parte da manhã conversando sobre basicamente tudo o que ela queria.

 

Quando os assuntos se esgotaram, quebrei o silêncio com a frase introdutória mais ineficaz contra uma mãe. "Mãe, quero te contar uma coisa". Ela nem respirou e já respondeu: "Já sei! Já está namorando, né?"

 

Câmbio.

.

 

Ei. Realiza comigo uma coisa. Em qual momento entre o dia que nos conhecemos e a véspera do ENEM de 2025 nós imaginaríamos estar separados por um oceano ansiosos para o dia que nossas mães se conhecessem na condição de sogras um do outro? Pois é. Se alguém apostou um real nessa probabilidade, deve estar trilhardário hoje.

 

Contar para a mãe sobre uma paixão é um limiar muito significativo. E eu me lembro quando você disse que contou para a sua. Estávamos na mesa do açaí e você soltou que sua mãe sabia de tudo o que estava acontecendo. Aquilo me deu um frio na espinha. Mas foi um frio na espinha bom. Saber que você contou para sua mãe me fazia entender que o negócio era sério mesmo.

 

De lá para cá, confesso que me simpatizava pela sua mãe todas as vezes que você falava dela. Primeiro que ela parece ser uma pessoa muito sábia. Sempre te disse isso. Sábia por conhecer muito bem a filha que tem. E foi por causa de uma frase dela (a que eu falei ontem, mas faço questão de repetir aqui) sobre "seus olhos brilharem quando eu era o assunto" que eu entendi que deveria lutar por você. Cá estamos.

 

Sua mãe também é muito sábia por saber que eu sou um "rapaz esperto". A sacada que ela teve da câmera Polaroide foi um toque de gênio. Claro que eu queria que você pensasse em mim toda vez que você usasse a Athena (adorei esse nome), mas não foi algo deliberadamente planejado. Foi mais coisa do inconsciente mesmo. Mas ela tem toda razão.

 

Eu já disse isso e tenho pra mim que sua mãe, de alguma maneira, se simpatiza comigo também. Ela não me conhece ainda, mas ela sabe quem eu sou a partir do teu olhar. Isso me confirma algo muito bonito sobre você: aos teus olhos, eu sou um cara muito legal (e eu sou mesmo). Mas vamos combinar, que mãe não gosta de ver a filha sendo admirada e se sentindo amada todos os dias? 

 

Mesmo assim, com essa "vantagem" proporcionada pelo teu olhar, eu ainda estou meio catatônico ao saber sobre o convite do café. "Será que ele tomaria um café comigo?". Essa frase que também é um convite me deu o mesmo frio bom na espinha do dia que você falou pra mim que ela sabia de nós. É o sentimento de "a coisa está ficando séria". 

 

E eu ainda estava me recuperando disso quando o algorítimo (esse canalha) sugeriu a senhora sua mãe como uma nova possível amizade. Além de todos os sinais do universo, o Instagram também está dando um jeitinho de facilitar as coisas para nós. "Segue ela." Segui e, minutos mais tarde, ela me seguiu de volta! "Ok, agora a coisa está muito mais séria. Sou web amigo da minha futura sogra." Vou concordar com você. Logo menos estaremos curtindo as postagem um do outro e, quem sabe, combinando cafés via DM.  

 

Sua mãe já tirou uma foto sua enquanto você conferia a fotografia que você fez com sua Polaroide para que eu visse a cena. Sua mãe já se lembra de mim quando vê alguma coisa de coruja. Sua mãe me segue no Instagram e já curtiu uma publicação minha. Sua mãe quer tomar café comigo. E sua mãe sabe tudo o que eu sinto por você. Tem noção? Pois eu não! Mas estou feliz.

 

Só que minha felicidade só ficaria completa quando outra mãe entrasse nessa história, a minha. Eu já estava ensaiando contar para a Dona Josy (nunca chame ela assim e nem use o termo "senhora", fica a dica), mas recebi o incentivo que faltava quando a sua mãe me adicionou no Instagram. "Se já está nesse pé do lado de lá, tenho que equilibrar as coisas do lado de cá".

 

Quando terminei meu relacionamento, minha mãe ficou bem chateada. Não comigo, mas com a situação. Para ela, meu namoro seria algo para sempre e, por conviver nove anos com a ex-nora, ela sentiu muito a separação. Normal. Minha mãe é uma pessoa que ama as pessoas que fazem seus filhos (no caso, eu e minha irmã) felizes. Por isso, o rompimento foi tão duro para ela. Mesmo assim, minha mãe tem um mantra: "Eu só quero o melhor para você e se essa decisão for a melhor, eu te apoio". Foi isso que ouvi quando anunciei que iria terminar meu namoro.

 

E quando eu terminei eu estava crente que ficaria solteiro por um bom tempo. Apresentar alguém para minha mãe estava muito longe do meu radar. Cheguei até pensar que eu seria o solteirão da família até o fim na minha casinha no interior da Alemanha com um cachorro e uns livros lançados. O plano era esse... Mas aí você apareceu e me mostrou que existe uma vida muito mais bonita me esperando.

 

Quando falei para minha mãe que estava gostando muito de uma pessoa, ela já sabia. Mãe é mãe. Elas sempre sabem de tudo sobre seus filhos. E ela sacou tudo nas fotos que postei. Olha como o senso shelockeano operou em minha progenitora.

 

1. Foto do Fritz no feed. Ela viu o comentário da Ana Lu "a titia já ama";

2. Se lembrou de um story que eu havia repostado de quando nós dois [eu e Ana Lu] fomos à Tokyo;

3. Viu o story que eu repostei da Ana Lu do jogo do Corinthians;

4. No dia seguinte viu outro story que eu repostei dela de nós quatro em casa;

5. Viu o story que postei do rolê que fiz com ela e com a Carla no bar.

 

"Você está namorando a tal da Ana Lu, né?", foi o que ela disparou. "Mãe! Não!" Expliquei que a moça pela qual estava apaixonado era a outra loira que apareceu na evidência número 4. E tive que explicar que a Ana Lu era do Diego.

 

Expliquei como nós nos conhecemos, como passamos mais de um ano sendo apenas colegas que se adimiravam e como, após um dia de ENEM, as coisas mudaram para sempre. Disse que ficamos a primeira vez no dia da formatura e mostrei a nossa foto elite. Ela olhou e disse "Se você posta essa foto, eu ia saber na hora! Olha a cabeça dela encostadinha no seu ombro!... Mas realmente, ela é muito bonita e vocês formam um belo casal." Já era! Dona Josy estava rendida.

 

Falei de você. Que você é inteligente. Uma excelente professora. De bem com a vida. Ela percebeu o quanto meus olhos também brilham quando eu falo de você. Ela chegou a se preocupar com um namoro nosso na escola e eu a tranquilizei. Disse que somos muito profissionais e que a nossa diretora conheceu o marido dela no colégio e hoje trabalham juntos. Outra coisa que eu destaquei foi que somos os professores mais queridos daquela escola e que os alunos irão amar quando anunciarmos. 

 

Mas como toda mãe, ela também é sábia quando o assunto é sua prole. Me aconselhou a não expor nada agora. A viver o que tem que ser vivido sem pressa de contar para o mundo. Na lógica dela, as coisas estão muito frescas ainda. Sabemos que ela está completamente correta.

 

Mas eu ainda tinha uma carta na manga. "Essa mulher, mãe, me dá novas perspectivas, sabe? Hoje eu consigo me ver pai.", pronto. Os olhos da minha mãe arregalaram. "É, ué. Você seria um excelente pai, já te disse isso", ela respondeu tentando segurar a empolgação. Reforcei para ela que isso tudo não passa de perspectivas e não existe plano (uma meia mentira), mas não a julgo por se sentir empolgada. Ela passou nove anos ouvindo de mim que não teria netos se dependesse do Felipe aqui. De repente, as coisas mudaram. Ah... ela acha Aurora um nome lindo.

 

No meio do almoço, no silêncio da cozinha, ela, do mais absoluto nada, soltou. "É Felipe... você só fica com mulher bonita... benzadeus!". 

 

É só não usar o "dona" nem o "senhora" que você habitará o coração da minha mãe com toda certeza. Motivo: ela ama quem faz seus filhos felizes. E você me faz feliz!

 

Mães, check!

 

Eu amo você.

 

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #5 - Correr...

01/01/2026, quinta.
 

A Avenida dos Ferroviários, na altura da Vila Arens (isso inclui a Vila Arens II), é um ótimo lugar para correr. Uma reta e só. Sobretudo no final da tarde, quando o Sol já está baixo e o calor não é tão insuportável. Melhor ainda é quando estamos no primeiro dia do ano. Nem carro está passando na avenida e, se você tiver um pouco de coragem, dá para correr na rua sem problema nenhum.

 

Eu não sou o maior fã de corrida. Gosto mesmo é de caminhar. Mas eu estou com muita energia acumulada e precisava descarregar de algum jeito. Ganhei um incentivo a mais. Uma mensagem sua dizendo que estava com saudade. Como foi estimulante para mim.

 

Corri. Mas parei quando percebi que havia cometido um erro enorme. Minha vontade de correr passou na hora e eu só senti raiva de mim mesmo.

 

Câmbio.

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Calma. Não vou trazer à tona tudo o que já conversamos há pouco. Já conversamos, já expomos o que sentimos com o que aconteceu e já nos resolvemos. Mas eu ainda gostaria de te dizer algumas coisas que refleti antes, durante e depois de conversarmos.

 

O primeiro dia do ano é sempre um momento de muita reflexão. Acho que para todo mundo. Metas a serem realizadas, objetivos que foram alcançados... E eu só pensava em uma coisa: "Agora começa o Ano I, o ano que eu e ela vamos construir uma vida juntos. Uma vida cheia de sonhos realizados". Foi isso que eu pensei enquanto todos estavam comemorando a virada do ano e eu estava sozinho lendo e relendo a mensagem que você me enviou no ano novo italiano.

 

Desde quando você surgiu na minha vida (como uma paixão e não só como minha colega de profissão), eu ganhei uma energia inacreditável de viver sonhos que eu jamais pensei que ainda teria. Quer um exemplo? Eu já havia desistido de ter filhos. Hoje, eu sonho com isso. Mas eu não sonho só com os filhos. Eu sonho com a mãe deles. Eu sonho com você. E se você perguntasse para o Felipe antes das férias de julho sobre ter filhos ou não, minha resposta seria: "Não tenho vontade de ter filhos". Acho até que já verbalizei isso para você em um contexto aleatório no trabalho.

 

E esse é só um dos sonhos. Há outros tantos que você está inclusa. O melhor disso é que você sabe de todos, já que você possui os mesmos sonhos que eu. E a gente descobriu isso muito rápido. Lembro das nossas primeiras conversas sobre objetivos e da nossa ficha caindo de que os nossos sonhos desaguavam no mesmo oceano. 

 

Acabei de olhar para os potinhos cheios de peças de quebra-cabeça aqui do lado do meu computador. Me lembrei do dia em que você trouxe elas para a gente montar. Aquela conversa que seria só um papo entre dois amigos que já haviam decidido seguir caminhos diferentes (pelo menos por um tempo), acabou se transformando em uma constatação do óbvio: "Nós temos os mesmos sonhos e como sonhar junto com você é uma delícia". 

 

Mas eu havia prometido para mim mesmo que não deveria lutar por isso. Na minha cabeça, seria invasivo, sei lá. Mas nesse mesmo dia você me disse uma frase que mudou tudo. "Minha mãe disse que quando eu falo de você meus olhos brilham como ela não via brilharem há muito tempo". Não sei se foi exatamente assim (me perdoe a licença poética que usei, inclusive, no conto que te escrevi), mas isso entrou no meu coração como um convite: "Corra atrás dessa mulher!".

 

Então eu corri! Corri porque eu quis correr. Porque eu achei que valeria à pena o risco. Porque eu sei mais do que ninguém que o amor é uma aposta e eu apostaria todas as minhas fichas no que eu sinto por você. Na prática, decidi tratar você do jeito que eu sempre achei que você deveria ser tratada. Te coloquei no meu pedestal de devoção e te admirei todos os dias com meus olhos, meus textos, minhas falas e minhas atitudes. Se você é grande, eu queria ser o sortudo que estivesse ao teu lado quando você ganhasse o mundo.

 

Te escrever um manuscrito de um livro foi de longe o ato mais romântico que eu já fiz, mas não é nem de perto tudo o que eu faria (e farei) para te ver feliz. Embora eu não saiba ainda tudo o que você sentiu lendo o conto, eu te garanto que essa é só a ponta do iceberg. E eu não faço isso para te convencer do que eu sinto. Eu faço isso porque simplesmente me faz bem fazer. Te ver feliz passou a ser minha motivação para continuar correndo.

 

E eu percebi algo interessantíssimo sobre mim que eu também sempre achei clichê e até mesmo impossível. Sabe o filme "Como se fosse a primeira vez"? Você deve saber (apesar de dormir em filmes), mas caso não saiba, é a história de uma moça que perde a memória todo dia e um cara precisa fazer ela se apaixonar por ele diariamente, pois no dia seguinte ela esquece quem é ele. Não que você irá me esquecer, mas eu estou preparadíssimo para conquistar você todos os dias.

 

"Por quê?", você me perguntaria. "Porque eu te amo!".

 

(Sei que já disse que eu amo você no sofá da minha casa utilizando alguns filósofos para deixar a coisa mais formal)

 

(Também sei que dizer "Eu te amo" é um tabú para muitos casais recém formados e até mesmo a gente se utiliza do "Gosto muito de você")

 

(E eu sei também que pode soar menos romântico eu te dizer que "Eu te amo" em um texto. Mas veja, nada mais Felipe Schadt do que dizer "Eu te amo" em um texto que é dedicado 100% para você)

 

(Para encerrar os parênteses que amamos usar em nossas conversas, há muitas maneiras que eu quero te dizer que te amo. Aqui foi apenas uma dessas formas. Outras virão)

 

Hoje, quando fui correr (literalmente) eu descarreguei uma energia que está acumulada comigo que tem origem nesse amor que tenho por você. Ao tentar todos os dias te fazer se sentir amada e desejada, eu recebo um efeito rebote muito interessante. Te fazer feliz me estimula a viver. A vida é muito mais legal quando percebo que você está feliz. Quando eu dou um ou outro motivo para você sorrir então... Nossa! Correria uma maratona de tanta energia. É por isso que acho que vou me dar bem fazendo bike com você. Teu sorriso é meu combustível.

 

Da mesma forma que o teu não-sorriso é um dreno da minha energia. Te ver triste é entristecedor. Vi você chorar (ou perto disso) raríssimas vezes e isso me deixou mal também. Agora imagina quando o teu desapontamento é causado por mim? Eu sei que sou dramático, mas a angústia que eu senti (e eu sempre gosto de lembrar que essa palavra vem do alemão "ängst" que significa medo) sugou toda minha vontade de correr.

 

Parei. Sentei no meio fio e senti culpa. Mas muito mais do que culpa, eu senti vergonha. E muito mais do que a vergonha eu senti tristeza. "Como posso eu, que me alimento da alegria dessa mulher, ter causado nela a dor que for?". Voltei andando para casa e nem tirei a foto que ilustraria esse episódio do blog (que seria eu todo suado do fim da corrida). Eu só queria que ficasse tudo bem e que você continuasse permitindo que eu te fizesse se sentir amada todos os dias. Quero manter isso. E se você me perguntar o motivo, eu repito: Porque eu te amo.

 

E toda essa história não deixou eu falar da coisa mais legal que aconteceu no dia: eu e sua mãe somos web amigos!!! Mas eu deixo para escrever sobre isso amanhã. Quem sabe você não mostra para ela o episódio 6 do Diário de Bordo (secreto)?

 

Eu corro, correria e correrei por você. Hoje, amanhã e sempre. Afinal, eu sempre corri atrás dos meus sonhos. E você não é um sonho que eu conquisto e parto para outro. Você é o sonho que eu tenho todos os dias. Além disso, temos muitos sonhos para realizarmos juntos. Eu corro, correria e correrei com você.

 

Vai soar repetitivo se eu encerrar esse texto com um

 

Eu te amo?

 

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

Diário de Bordo (secreto) #4 - Vai um cafezinho aí?

31/12/2025, quarta.
 

O primeiro gole ainda é a barreira que eu preciso passar para apreciar o meu café. Na varanda, já no fim da tarde do último dia do ano, eu me sentei em um dos meus dois banquinhos e, com a xícara do Senhor dos Anéis na mão, senti o aroma dessa bebida que você me ensinou a gostar.

 

Eu desejei muito, enquanto olhava para a vista do décimo andar do Edifício Iotti, que você estivesse comigo. Na verdade, usei o tempo verbal errado. Eu desejo muito que você esteja na minha varando tomando café comigo. Quero que isso se torne uma espécie de ritual nosso. E eu sei que vai. 

 

E nesse último dia do ano, eu tenho algumas reflexões a fazer. E se você estivesse aqui, contaria tudo com um cafezinho. 

Pronto! Depois do primeiro gole, ele fica gostoso.

 

Câmbio.

.

 

Foi um ano no qual tudo que poderia me acontecer, aconteceu. Vi meu time ser campeão duas vezes; fiz um show especial de 15 anos da minha banda num teatro; trabalhei em dois colégios e na universidade; voltei para a Alemanha; terminei um relacionamento de 9 anos (no exato dia que completamos 9 anos); palestrei sobre Educomunicação em um TEDx; fui escolhido como patrono, paraninfo e professor homenageado pela primeira vez na vida; tive um cachorro por três dias; e me apaixonei perdidamente pela colega de trabalho que eu mais admiro.

 

Dizem por aí que 2025 foi o ano dos encerramentos, do fechamento de ciclos. Eu não sou (e nunca fui) um crente em numerologia, mas tenho que deixar meu ceticismo de lado para dar crédito às coincidências desse ano que já está nos seus finalmentes.

 

Tudo mudou na minha vida, sabe? Eu entrei nesse ano com uma perspectiva de uma existência morna e trivial. As coisas que eu sonhei (as mais loucas) eu já tinha conquistado. Na minha cabeça, era só levar a vida em banho-maria, sem nenhuma surpresa. E aí que vem o ponto que me fez mexer com todas minhas estruturas: parei de sonhar grande ou todos os grandes sonhos já foram conquistados?

 

A primeira grande mudança que me forcei a promover na minha vida foi me desvincular da USP e do trabalho voluntário que eu realizava (desde 2018) no Núcleo de Comunicação e Educação da ECA e na ABPEducom (Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação). Eu estava cansado e queria me dedicar às aulas nos dois colégios que atuo. Não havia tempo para outra coisa. Além disso, eu mantinha meu vínculo por causa de um doutorado que eu não queria fazer ainda. Era preciso soltar. Soltei e foi um alívio.

 

Esse primeiro movimento destravou em mim uma coragem interessante para promover mudanças. E foi inevitável não olhar para o meu relacionamento que, há pelo menos um ano, já se arrastava. A conclusão de que algo precisava ser feito foi na viagem para a Alemanha. Era uma viagem que eu e Carol sempre sonhamos em fazer juntos. Mal sabia a gente que seria a última. Foi simbólico, pois encerramos nosso ciclo com algo que nos propormos a realizar. Foi nas ruas de Munique, logo nos primeiros dias, que a grande ficha caiu: "Viramos brothers". 

 

Da volta da viagem até o dia 09 de outubro, foi uma grande sequência de batidas de cabeça na dura parede da realidade. Fim da linha para nós dois. Tudo o que tentássemos seria forçado, antinatural e aprisionador. Era preciso seguir caminhos diferentes e buscar outras formas de nos relacionarmos. Como casal, não funcionaria mais. Doeu? Doeu. Mas foi como tirar o band-aid da ferida. Um puxão, dor, lágrimas e depois alívio. 

 

Os castelos que construí estavam em ruínas e eu estava meio perdido. "O que fazer agora?". Minha primeira atitude foi arrumar a casa, literalmente. Primeiro mudei os móveis de lugar. Depois fui arrumando coisinhas que sempre me incomodaram (e ainda estou fazendo isso). Na minha cabeça, precisava deixar a casa arrumada para só depois caminhar rumo a sei lá o quê. Talvez foi uma maneira de eu arrumar a bagunça que estava na minha cabeça. 

 

Quando eu já estava com boa parte da casa (e da cabeça) limpa das coisas velhas, a maior surpresa do ano (e estou convencido que da minha vida) aconteceu: você. Naturalmente as coisas aconteceram. Simples assim. Nem eu e nem você imaginávamos que estaríamos aqui e desse jeito, separados por um oceano escrevendo e lendo um blog secreto cheio de carinho e paixão. Acredito que isso aconteceu do jeito que aconteceu porque ambos estávamos ansiando por algo que mexesse com todas as nossas estruturas.

 

"Tudo o que eu sabia estava errado". Eu amo essa frase. Vi ela pela primeira vez em um show do U2 que assisti pelo YouTube. Na música "The Fly", logo no seu final, o telão, depois de exibir milhares de palavras aleatórias, terminou com essa frase. E quando você apareceu na minha vida, eu só pensava em quanta verdade ela tinha. Você veio e derrubou todos os castelos que eu tinha e disse: "Agora você pode construir novos". E aceitei de bom grado o convite.

 

E essa é a parte que eu mais estou empolgado. A parte de construir novos castelos que eu nem imaginava que construiria um dia. Repito o que te disse mais cedo: parece que eu me preparei a vida inteira para esse momento. Tudo o que eu construí foi para aprender o que deve ser construído com você. Até as minhas derrotas, hoje, me fazem entender muitas coisas. Eu te esperei por dez anos, depois me preparei para te conhecer, aí eu te procurei e agora que eu te achei, sinto que estou pronto para construir o maior dos castelos. Maior até do que o do Ludwig II (que ficará lindo em um quadro em alguma parede da nossa casa de piso bonitinho).

Quer dizer. Hoje, último dia do ano, nós já conversamos com toda a naturalidade do mundo sobre o piano na sala, o piso bonitinho, a torneira de água com gás na nossa cozinha e o jantar com nossos ex-alunos favoritos na nossa casa com presente especial direto da nossa biblioteca... É gostoso pensar nisso com você porque você faz tudo ser altamente realizável. Está logo ali. Basta irmos buscar.

 

O ano que vem promete ser um ano incrível. Foi como eu disse na minha postagem de hoje. Tudo o que eu quero carregar é o amor e é a partir dele que eu quero guiar minhas ações. E você é o motivo dessa bagagem. 

 

Feliz ano novo! Sinta-se abraçada ao ponto de o frio de Florença não ser maior que o quentinho dos nossos corações.

 

Câmbio, desligo.

pg. 252

Conhecimento é Conquista!

-FS

p.s.: abaixo uma sequência de fotos que te fará sorrir.

Eu preparando café. Saiba que ficou bom, mas o seu ainda é o meu favorito.

Diário de Bordo (secreto) #3 - Coisas que cabem em uma foto

30/12/2025, terça.
 

"Ir para Los Angeles do nada deve ser uma loucura considerável", pensei eu quando vi no Google Flights uma passagem de R$3.202,00 até a Califórnia para o dia 31 de dezembro. Comecei a tentar me convencer de que não era uma loucura tão loucura assim. 

A primeira coisa que fui ver era se o meu time de Hockey no Gelo (sim, como você já deve ter notado, eu tenho um time para cada esporte) iria jogar lá. Os Patos de Anaheim mandam seus jogos no Honda Center, na cidade de Anaheim, basicamente dentro de Los Angeles. Sim, eles jogariam lá no período da viagem e o melhor é que o time está indo bem no campeonato. Seria um bom motivo para eu ir.

Eu já estava quase convencido e com a passagem na tela do meu computador só esperando o número do meu cartão de crédito. "Calma, Felipe.", ponderou meu cortex pré-frontal responsável pelo meu senso de futuro. Resolvi dormir com o seguinte plano: se eu acordasse com a ideia de ir e a passagem continuasse com o mesmo valor, eu iria.

Fiquei pensando no que você diria. Queria ter conversado com você na hora sobre isso. Aí me toquei que estava com saudade da tua voz. Busquei alguns áudios de nossas conversas e dormi pensando nisso. Será que eu sonharia com a resposta como Eule acreditava fazer?

Câmbio.
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Acordei com um áudio seu. Ah, esses sinais. Ou melhor, essa conexão. Além do áudio, uma foto. Uma bela foto da manhã napolitana com um senhorzinho que usava o mesmo perfume que eu. Achei graça, mas fiquei preocupado: "Será que eu cheiro a senhores italianos da terceira idade, ou é esse senhor que é jovem o bastante para usar um perfume como o meu?". Fiquei com a primeira hipótese, afinal, meu perfume é um Giorgio Armani, o equivalente italiano a um perfume da Natura para nós brasileiros.

Acordei e tomei meu habitual banho matinal. E sempre após o banho, eu passo meu perfume. Ri outra vez. Mas ainda bem que você já confidenciou que gosta do cheiro dele. Ainda há muito perfume no frasco e eu confesso que acho que o cheiro dele combina comigo. Ok, isso foi uma passada de recibo da minha faixa etária.

Como você bem sabe, a passagem para Los Angeles estava até mais barata. Mas eu acordei achando uma loucura ir. Claro que já fiz muitas loucuras (e farei outras tantas), mas percebi que para cada loucura, há a necessidade de existir uma grande motivação. E ir para LA hoje (ou no caso amanhã) não possui uma grande motivação que justifique a loucura. Muito diferente da maluquice que eu faria para te ver em um jogo de Copa do Mundo. Muito diferente.

Decidido a não ir para a terra do Tio San, tentei focar na minha viagem que eu chamo de "Hard Rock Café Trip". Comecei a pesquisar alguns hotéis, fazer mais contas e me preparar de fato para enfrentar um dia e 19 horas de estrada. Até que você me mandou uma foto que tinha no mesmo enquadramento três garrafas de Matheus e um mapa muito parecido com o que eu tenho no meu escritório.

Gatilhos! Gatilhos por todos os cantos dessa imagem. Como não lembrar do dia de natal? Desse mesmo vinho e desse mesmo mapa? Já dissemos isso ontem (e reforçamos hoje) que os sinais estão cada vez mais atrevidos. "O que falta acontecer?".

Flashes vieram com tudo na minha cabeça. E que delícia lembrar de todos eles. Como pode uma única foto dizer tanto? Bom, eu sei a resposta. Poderia versar aqui como professor de Semiótica o significado do que é dito nas imagens e tudo o que esses significados carregam, principalmente quando o leitor tem um poder de hermenêutica considerável. Então, para matar um pouco a saudade resolvi recorrer as fotos que temos juntos.

Vi nossa primeira foto, naquele dia que conversamos muito enquanto tomávamos um açaí. Nossa, como eu fui feliz aquele dia. Vi nossas fotos no churrasco do terceirão; as fotos do ENEM; as fotos da formatura. Eu amo nossas fotos na formatura porque elas mostram o quanto a gente faz uma bela (literalmente) dupla. Algumas fotos são menos felizes, como a do dia que fomos buscar o Fritz. Sinto saudade daquele cachorro e de tudo o que criei sobre ele. 

E de foto em foto, de interpretação em interpretação eu fui viajando na nossa história. Resolvi que era hora de desviar um pouco o foco. Ver as fotos não estava ajudando muito na missão de matar a saudade. O tiro estava saindo pela culatra e eu só sentia mais falta de você.

Fui ler, por que não? Aí Dan Brown, que não tem absolutamente nada a ver com a gente, me escreve aquelas duas linhas que fiz questão de fotografar e te mandar. "Todo o lugar que eu olhar, ela estará lá", pensei rendido. 

Decidi ir ao mercado e comprar coisas para meu almoço. Botei minha mochila, meu fone de ouvido e lá fui eu. Às 13h13 olho para meu celular no meio da rua e lá estava uma notificação sua bem na hora que tocava a última música da playlist do conto que te escrevi. "Deus querendo se exibir mais uma vez". 

Preparei meu almoço. Até tirei uma foto dele para postar aqui no blog. Menu mais básico possível, mas que matou minha vontade. E não se engane, eu coloquei Ketchup no meu prato. Julgue-me.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais tarde vi que você postou uma série de fotos. Vi todas (mas me apaixonei mais pelas as que você aparece por motivos óbvios). Vejo tudo o que você posta. Inclusive o seu VSCO. Eu acho que acertei muito bem no meu presente de natal. Você tem um olhar tão bonito para as coisas. Desde sua primeira foto aí, passando pela primeira foto que você me mandou de manhã do senhorzinho cheiroso até as fotos que você postou no seu feed. Você fotografa muito bem.

Passeei um pouco pelo seu feed para olhar mais fotos suas. Errei aí. 

Câmbio, desligo.

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Conhecimento é Conquista!

-FS

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Diário de Bordo (secreto) #2 - O sono da Coruja

29/12/2025, segunda.
 

O livro do Dan Brown parecia pesar uma tonelada em minhas mãos. Eu estava estirado no sofá e completamente exausto sabe-se lá porquê. Tudo bem que acordei cedo o bastante para saber novidades da sua chegada na Itália, mas não justifica eu querer dormir às 20h.

 

O fato é que depois que você anunciou que ia dormir, eu fui fazer minhas coisas, afinal ainda era muito cedo aqui abaixo da linha do Equador. Lavei roupa, tomei banho e fui aproveitar minha noite lendo meu livro no meu sofá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cada piscada, um gole na minha garrafinha que ganhei do colégio cheia de água gelada. Para as pescadas mais fortes, uma voltinha pela casa e até mesmo uma ida à varanda para voltar ao estado de vigília. "Que sono é esse?", pensava com os meus botões.

 

Em dado momento, eu desisti. Escovei meus dentes e fui para a cama. Olhei para o teto iluminado com a luz que vinha da rua e tentei fazer o exercício do sonho, aquele que você "força seu cérebro" a sonhar com algo que você queira. Adivinha com quem eu queria sonhar?

 

Antes, uma olhadinha no relógio. Para a surpresa de ninguém, 22h22. Sorri e pensei em você como eu faço todas as vezes que vejo horas iguais (o que está se tornando uma constância). Te escrevi, pois não perderia a oportunidade. Queria que você tivesse uma mensagem minha ao acordar. Acho fofo. Enviei. Depois de deixar o celular e meus óculos no criado mudo, fechei meus olhos e abracei Morpheu, contrariando o animal que eu mais gosto, dormi cedo.

 

Câmbio.

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A minha curiosidade para saber suas reações, impressões e comentários sobre o Memórias do Futuro já estava me corroendo antes mesmo de você ler. Mas eu aceitei o combinado: "Nenhuma palavra até eu voltar", foi algo assim que saiu da sua boca. Ok. Serei fiel ao combinado, mas poxa vida, ao menos uma coisinha só para minha ansiedade ficar calminha.

 

Felizmente eu consegui arrancar de você duas coisas. A primeira é que você gostou muito da parte do sebo. Não tinha como não ter outro nome. Ele é simplesmente perfeito. Aproveito para pedir desculpas por pegá-lo sem aviso prévio. É que fazia parte do show você descobrir essa informação na leitura. A segunda coisa que descobri é que você gostou "MUITO" de ter lido. Ufa! Era o que eu precisava saber para ficar feliz aqui do outro lado do Atlântico.

 

Confesso que fiquei boa parte do dia com o celular na mão. Eu queria estar "por perto" para receber suas notificações e suas novidades. E a primeira foi logo uma das que eu mais esperava ver: você comendo a pizza do filme da Julia Roberts. Ah... Que delícia ver você em estado de graça na frende de uma pizza em Nápoles. Nem a Julia Roberts está mais bonita que você comendo a mesma pizza (não ouse discutir).

 

A parte do dia que mais esperei foi quando conseguimos nos falar um pouco mais. Escrevi o primeiro episódio deste diário de bordo e fiquei muito contente em saber que você gostou de ler. A minha intenção era mesmo de reportar o dia a partir do meu ponto de vista. Um trabalho quase que jornalístico para uma assinante única e exclusiva. Então escrevi meu relato e depois li o seu, cheio de detalhes e fotos.

 

Aliás, adoro ver suas fotos e registros. Uma dessas fotos, a de uma viela aí em Nápoles, estava incrível e veio acompanhada de uma frase que deixou meu coração quentinho: "Precisamos vir para Nápoles." Sim!!! Temos que ir para Nápoles, Roma, Atenas, Berlim, Londres, Edimburgo... Quando eu penso em viajar com você, parece que o mundo é pequenininho e que nós o conheceremos de norte a sul e de leste a oeste. Repito o que te disse: "Você faz tudo parecer tão realizável". 

 

Outra coisa sobre suas fotos eu descobri hoje. Graças a sua mãe (que dispensa todo e qualquer comentário), eu vi que você está se divertindo com a sua câmera que ainda não tem nome. Eu estava pensando nas três sílabas e o nome forte feminino, pensei em um: "Athena". Talvez seja clichê por causa da viagem, mas pensei nesse nome.

 

E falando sobre hoje, deixa eu te contar minha epopéia automobilística. Fui em três oficinas mecânicas para fazer uma simples revisão no meu carro. A primeira me deu um chá de cadeira de três horas! Só para fazer o orçamento do que precisava ser feito, eles demoraram quase uma! Eu fiquei putasso, pois eles poderiam ter falado: "Olha, vai demorar. Se o senhor quiser deixar seu carro aqui e buscá-lo depois, nós te ligamos". Bom, o orçamento que eles fizeram foi absurdo. Meu carro é "novo" e não apresenta nenhum problema. Eu só queria que olhassem os itens de segurança para saber se precisava de algo. A lista de coisas que eles me passaram parecia pertencer ao meu antigo Peugeot (que Deus o tenha). Pelo menos eles tinham uma árvore de natal feita de pneus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois da espera, não fiz nada naquele lugar. Levei meu carro para outra oficina. Dessa vez uma autoelétrica para arrumar o farol traseiro do meu carro. O mesmo que você observou que estava queimado e que você usou de desculpa para falar comigo naquela noite pós cápsula do tempo. E falando em tempo, deu tempo para eu ir até o McDonald 's almoçar. Um detalhe: na primeira oficina, demorou tanto e estava tão quente, que fui no Méqui tomar um Milkshake na esperança de que eu almoçaria em casa. Só que oficina mecânica e esperança não convivem pacificamente na mesma frase e eu precisei voltar ao reino de Ronald McDonald para comer.

 

 

 

 

 

 

 

Mas eu ainda precisava dar um jeito no meu carro. Então levei ele a uma oficina que eu jurei para mim que nunca levaria. Acontece que o dono é um bolsonarista ferrenho e quando eu levei meu Peugeot há alguns anos, ele foi mega escroto comigo por saber que eu era professor e ex-aluno da USP. Mas era a única oficina que eu conhecia aberta e sei que, pelo menos, ele é mais barato. E de fato foi. Deixei meu carro lá e enquanto esperava, fui cortar meu cabelo.

 

No meio de tudo isso, conversamos. E como eu gosto de conversar com você. Adorei saber um pouquinho da sua aventura no Vesúvio. Aliás, um adendo. Eu preciso me conter às vezes. Que curiosidade mórbida a minha sobre o vulcão e o jornalista que se jogou lá? Eu preciso ser menos nerd. Desculpa por isso (risos de nervoso).

 

E não vou esconder que a surpresa do dia foi saber que sua mãe praticamente me convidou para um café (hoje eu tomei café, aliás. Na oficina. Não estava tão ruim, mas ainda prefiro o seu). Mais surpreso ainda fiquei ao saber que corujas já fazem referência ao rapaz esperto que te deu uma máquina fotográfica para você sempre se lembrar dele quando tirar uma foto.

 

É... O que falta acontecer para nós? O que falta para o grande "já era"? O "já era de vez"? Minha conclusão é de que não falta nada. Falta só o epílogo dessa história para um novo livro começar a ser escrito. "Essa história daria um livro", dez de dez pessoas falariam isso se conhecessem os detalhes dela.

 

Agora estou aqui, recusando convites da sua amiga para fazer algo, do meu amigo para fazer algo (por que cargas d'água não fazem os dois?) porque já estou cansado. Sou uma vergonha para as corujas do mundo todo.

 

Dizem por aí que corujas criam vínculos profundos com seus pares e filhotes, o que me faz crer que elas são capazes de sentirem bastante saudade. Se assim for, eu sou um orgulho para a espécie.

 

Câmbio, desligo!

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Diário de Bordo (secreto) #1 - A viagem da abelha

28/12/2025, domingo.
 

Abelhas são animais de colônia. Isso significa que elas têm uma casa fixa no qual voltam todos os dias após o trabalho. A maior distância que um inseto desses pode percorrer é de 6 quilômetros. Isso seria equivalente a uma viagem de quase 700 quilômetros para um ser humano antes de voltar para casa. 

 

Mas eu conheço uma abelha que resolveu viajar 9300 quilômetros e passar quase 20 dias longe de casa. É... ela é uma abelha diferente das outras. Pois além disso, ela gosta de ler e detesta não saber do que está acontecendo na vida próxima a sua colméia.

 

Por conta disso, resolvi fazer uma edição especial do meu Diário de Bordo. Especial porque é exclusivamente para você. Também é secreto, o que torna tudo mais interessante. Bora?

 

Câmbio!

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Assim que nos despedimos no dia 26, eu só pensava no momento que você, no avião, leria o Memórias do Futuro. Eu estava, acho, mais ansioso do que você. Queria ser uma formiga para ver a sua reação quando lesse. Mas fiquei satisfeito no que combinamos fazer: às 18h eu ler daqui e você do avião (precisamente no espaço aéreo da Bahia, rumo ao oceano).

 

Claro que não foi só nisso que pensei. Pensei em tudo o que nos aconteceu nos últimos dias e em como as coisas entre nós ganharam outras camadas. Deliciosas camadas, tenho que admitir. E saiba que você deixou em minha casa muitos pontos de gatilho que farão lembrar de nós. Para mim, um prazer.

 

Então veio a segunda despedida. Dessa vez virtual. Você já estava no avião quando nos falamos pela última vez dividindo o mesmo solo tupiniquim. "Tchauzito", escreveu você depois de me dizer que, inevitavelmente, eu estaria com você nessa viagem. Foi fofo ler isso. Me senti especial. Foram mais de duas horas até o horário combinado da nossa leitura síncrona.

 

Esperei. Parte do tempo na sacada vendo a chuva cair, outra parte no meu escritório olhando para o armário e o carpete enquanto tocava músicas que me lembravam de você. Confesso que nem foi uma espera tão longa. Fui até a geladeira e peguei o que havia sobrado do vinho que você trouxe (que é realmente uma delícia). Coloquei sobre a minha mesa, abri a versão digital do conto e conectei a playlist no Spotify. Tudo pronto!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas aí eu lembrei da mania de um professor amigo nosso. Ele gosta de ver e acompanhar as rotas aéreas de aviões do mundo todo. "Eu posso saber exatamente onde ela está agora", pensei. Não foi difícil achar seu voo. E lá estava ele na tela. Agora sim, "conectado" com você da maneira que eu encontrei, estava preparado para começar a ler. No relógio, faltava um minuto para as 18h.

 

Vou resumir minha leitura. Eu ria sozinho com a história e amava como a trilha sonora se encaixava com o que eu havia imaginado de cada cena. Eu estava sendo muito feliz lendo e sabendo que você estaria fazendo o mesmo que eu. "Será que estamos na mesma parte da história?", era o que eu me perguntava. Mas eu fiquei imerso na leitura e me diverti. Foi como passear pelas memórias que construímos juntos nesse último mês.

 

Li com calma. Aproveitei cada linha. Respirei a cada final de capítulo. Beberiquei o vinho a cada vez que esperava a música da vez acabar. Foi quase que mágico. Não. Foi mágico. E fiquei pensando que talvez será assim quando estivermos dividindo o mesmo espaço para ler nossos livros. Nada importaria, pois estaríamos lendo "juntos". Sabe o sentimento, né? Quentinho no coração!

 

Depois da leitura, nossas duas amigas me chamaram para tomar algo. Topei. Topei porque era uma forma de estar perto de você. Além disso, queria contar para elas mais sobre você e ouvir o que elas tinham a dizer sobre nossa história. Nos encontramos no Chafariz, um bar bem boêmio de Jundiaí que, mesmo com a chuva, estava um forno.

Uma de nossas amigas estava triste por causa do meu amigo. Ela queria ouvir minhas impressões e eu meio que fiz um resumo do tatuador que havia ganhado o coração dela. Os detalhes você já sabe, então não vou me aprofundar muito. Mas ela estava bem cabisbaixa. 

 

Nossa outra amiga, por sua vez, estava empolgada com o rapaz da plataforma. Estava com o típico rosto dos apaixonados: bobo e de sorriso fácil. Estava empolgada com a viagem que fará até o Rio de Janeiro para encontrá-lo e viver seu conto de fadas. Ela mostrou uma foto dele. O cara é bonitão!

 

Mas aí chegou a estrela da noite: nossa história. Contei com detalhes o que vivemos neste mês. Suspiros, risinhos e olhos arregalados da minha platéia de duas pessoas. E eu falaria mais se pudesse, mas não queria monopolizar a mesa com o seu nome que foi pronunciado uma centena de vezes.

 

"Essa história dá um filme", disse uma das nossas amigas. A outra fez uma correção: "Daria um livro!". Aí me lembrei do conto. Parece que todos concordamos quando disseram que isso aumentou muito a régua. "O que vocês estão vivendo é muito raro!", foi a conclusão da noite que precisou ser interrompida graças a visita de uma barata voadora dentro do bar. Uma de nossas amigas, você bem sabe, tem pavor de insetos voadores. Será que de abelhas também?

 

Voltei para casa logo após combinarmos que passaríamos o ano novo juntos. Estamos os três solitários e queremos algo de boa. Estamos estudando possibilidades. Mas eu não queria bater o martelo ali, na rua. Queria voltar para casa. Sabia que quanto mais cedo eu dormisse, mais cedo o dia seguinte chegaria e eu iria poder ter notícias suas.

 

E eu estava certo. Acordei e vi sua mensagem de protesto em não ter sido convidada para o barzinho da noite anterior. "Ela está ótima", pensei sorrindo.

 

Câmbio, desligo!

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Conhecimento é Conquista!

-FS

© 2026 por FELIPE SCHADT.

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